
Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base na Pnad Contínua do IBGE, cerca de 50% dos trabalhadores de menores rendimentos tiveram um aumento salarial acima da média nacional. Conforme o estudo, a renda destes trabalhadores cresceu 10,7% no quarto trimestre de 2024, enquanto a média nacional aumentou 7,1%. Os principais fatores que propiciaram esta melhoria foram a queda do desemprego (3,9%) e melhoria da escolaridade (5,24%).
Para a FGV, o principal diferencial neste momento é a combinação entre crescimento econômico, recuperação do emprego e melhora dos indicadores sociais, cujos principais beneficiados são os setores mais vulneráveis da população. Os dados da FGV também mostram uma leve queda no trabalho informal e um aumento de empregados com carteira assinada, o que gera a ampliação do acesso a direitos trabalhistas e previdenciários e amplia a inclusão social.
A renda média dos trabalhadores brasileiros atingiu um novo patamar no quarto trimestre de 2024, alcançando R$ 3.326,00, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No trimestre encerrado em janeiro de 2025, o rendimento médio chegou a R$ 3.343,00, o maior da série histórica. Estes dados fazem parte da nota técnica “Retrato dos Rendimentos do Trabalho – Resultados da PNAD Contínua do Quarto Trimestre de 2024”, elaborada pelo pesquisador Sandro Sacchet de Carvalho.
Ainda que os dados acima sejam positivos, é preciso ressaltar que o salário mínimo praticado no Brasil está muito aquém, senão vejamos: para o DIEESE, o salário mínimo, para suprir as necessidades básicas de uma família média, necessitaria ser de R$ 7.156,15, porém, ele está hoje em R$ 1.518,00. Já a Constituição Federal (CF) determina, em seu artigo 7º, item IV, que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social, “receber um salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as suas necessidades vitais básicas e às de sua família como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.
Se analisarmos todas as despesas listadas na CF, que devem ser pagas com o salário mínimo, veremos que o valor hoje pago está muito distante de promover uma sobrevivência digna aos trabalhadores. Apesar de o Brasil está entre os países com os menores salários mínimos da América Latina, situação que se agrava quando comparado com os países desenvolvidos, a depreciação das condições de vida dos trabalhadores é uma realidade mundial. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o salário médio mundial é baixo, e mais de um terço da população vive abaixo da linha de pobreza.
Isto nos coloca que a classe trabalhadora brasileira precisará lutar muito se quiser mudar esta realidade.



