
A escala 6×1, com seis dias de trabalho exaustivos seguidos por um dia de descanso, impõe uma rotina desumana, que drena a vida de trabalhadores e trabalhadoras. Essa jornada agride a saúde, o tempo com a família, o lazer e a qualidade de vida, beneficiando os empregadores à custa do sacrifício dos empregados. É hora de dizer basta! É urgente extinguir a escala 6×1 e avançar para uma jornada de trabalho mais humana e equilibrada.
É preciso mobilizar trabalhadores, entidades sindicais, movimentos sociais, parlamentares e toda a sociedade que almeja um futuro do trabalho mais justo, digno e sustentável.
Ao longo da história do capitalismo, a classe trabalhadora tem demandado, de forma justa e legítima, a diminuição do tempo dedicado ao trabalho, em busca de melhores condições de vida e da partilha dos frutos do progresso.
No século XXI, com os avanços tecnológicos exponenciais, a automação e a inteligência artificial transformando o mundo do trabalho, a redução da jornada torna-se não apenas desejável, mas imperativa. A tecnologia, que é uma conquista social, deve servir para libertar os trabalhadores do fardo de jornadas exaustivas, e não apenas para aumentar os lucros de poucos. Mais do que isso, a redução da jornada representa um avanço fundamental para o fim do trabalho precarizado, ao estimular a criação de empregos formais e de qualidade.
No mundo, há experiências bem sucedidas de jornadas menores, sem redução salarial. Uma jornada reduzida, com períodos de descanso adequados, é fundamental para promover a saúde, prevenir o adoecimento e garantir o bem-estar dos trabalhadores, como recomendam as principais organizações de saúde e trabalho do mundo. Ela surge, também, como uma resposta inteligente para a questão do emprego, capaz de gerar novos postos de trabalho, especialmente para jovens e trabalhadores mais maduros, impulsionando a economia e fortalecendo o sistema previdenciário com a entrada de mais trabalhadores no mercado formal.
Historicamente sobrecarregadas, as mulheres serão particularmente beneficiadas pela redução da jornada, que permite uma divisão mais equitativa do trabalho com as tarefas domésticas e cuidado familiar, abrindo mais espaço para o desenvolvimento profissional e pessoal das trabalhadoras. Em relação aos serviços públicos, as jornadas reduzidas podem garantir mais qualidade ao aumentar a motivação dos servidores e melhorar suas condições de trabalho, além de criar a perspectiva de mais concurso público, o que aumentará o número de profissionais que fará o atendimento à população.
Os argumentos contrários à redução da jornada, que alegam prejuízos à economia e à produtividade, são anacrônicos e não estão baseados em evidências. Eles expressam a lógica perversa da maximização do lucro a qualquer custo, que ignora o valor intrínseco do trabalho humano e o direito dos trabalhadores a uma vida digna. Não podemos ceder a essa lógica! É preciso superar a resistência dos setores conservadores e avançar na construção de um novo modelo de jornada de trabalho que coloque a vida dos trabalhadores em primeiro lugar.
TRABALHAR PARA VIVER, E NÃO VIVER PARA TRABALHAR!
Fim da escala 6×1, redução da jornada, sem redução salarial, já!



