
A campanha salarial 2025 da PRODABEL encerrou e o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) está registrado no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com o número MG002821/2025. Como o fim de uma história é o começo de outra, os trabalhadores já apresentaram ao Sindicato a demanda de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
O PCCS, tradicionalmente, se insere em uma área de conflito da luta de classes: a Empresa o enxerga apenas como um gasto, enquanto os trabalhadores o veem como uma ferramenta de valorização. Mas para além dessa dicotomia, o Plano pode ser um catalisador que, ao mesmo tempo em que aumenta a remuneração dos trabalhadores, também eleva a produtividade da Empresa.
O modelo atual, muitas vezes, falha em pontos cruciais. A subjetividade dos critérios de promoção é um de seus maiores problemas. Onde não há regras claras, a decisão fica vulnerável a favoritismos e assédio. A experiência da PRODEMGE, cujo plano foi questionado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), serve como um alerta. Naquele caso, o plano foi imposto de forma unilateral, sem qualquer negociação com os trabalhadores. Como se não bastasse, suas regras não foram seguidas pela própria Empresa, o que resultou em uma enxurrada de ações na Justiça. Como consequência direta dessas falhas, houve a eliminação da progressão por antiguidade e problemas que persistem até hoje com a progressão por mérito. Um PCCS precisa de regras objetivas, transparentes e alinhadas às competências e metas.
Outro grave problema e, infelizmente, muito comum, é o chamado “plano para inglês ver”, com metas inalcançáveis e aumentos irrisórios que levam à descrença e à desmotivação. Também não podemos repetir os erros do passado. Sistemas como o “stack ranking”, abandonado pela Microsoft, em 2013, são exemplos de como a competição interna excessiva prejudica a colaboração e a inovação. Na nossa visão, um plano eficaz deve incentivar o trabalho em equipe.
O plano deve ser mais do que uma tabela salarial. Ele deve ser um guia estratégico, com múltiplas regras de promoção que valorizem não apenas o tempo de casa, mas também:
● A escolaridade formal: pois eleva a carga cultural do trabalhador, o que se traduz em maior capacidade para lidar com complexidades e uma diversidade de saberes que a Empresa pode nem prever que precisará.
● Cursos de capacitação: que alinham o desenvolvimento do empregado às necessidades da empresa.
● Feitos: que reconhecem a alta performance e as conquistas individuais.
Com essa visão, o plano se torna uma ferramenta holística que ajuda a empresa a identificar e promover os talentos certos para a liderança e a formar times de alta performance. É com essa mentalidade que a PRODABEL e qualquer empresa de TI devem pensar um PCCS. O SINDADOS/MG estará junto dos trabalhadores nessa jornada.



