GREVE NOS CORREIOS EXPÕE LUTA CONTRA PRIVATIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO

Trabalhadoras e trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) iniciaram, no último dia 16 de dezembro, uma greve por tempo indeterminado em nove estados. O movimento, que já mobiliza sindicatos de norte a sul do País, é uma resposta direta a uma pauta de retrocessos proposta pela estatal e à paralisação das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, cuja data-base venceu em 1º de agosto. Desde o dia 29 de julho, os trabalhadores estiveram em negociação com a Empresa. Com a data-base vencida e o esgotamento das negociações, a categoria realizou uma série de assembleias que decidiram pela paralisação por tempo indeterminado.

Os sindicatos que aderiram a medida foram os do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Empresa, em vez de apresentar propostas de valorização, colocou sobre a mesa a retirada de direitos históricos, como o vale-alimentação de Natal. Também pretende deixar de ser a mantenedora do plano de saúde, medida que, segundo a secretária-geral do Sintcom-PR, Elisabete Ortiz, “atinge diretamente a qualidade de vida e a segurança dos trabalhadores e de suas famílias”, dado o cenário atual de precarização do atendimento. A implantação da jornada 12×36 e o anúncio de um PDV que pode demitir 15 mil pessoas e fechar mil unidades completam o pacote que aprofunda a insegurança e o desmonte.

A greve, no entanto, enfrenta uma retórica de intimidação vinda do alto escalão do governo. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou que uma paralisação legitima a pauta da privatização dos Correios – uma chantagem explícita contra o direito constitucional de greve. A mesma liderança já havia defendido, em julho, a demissão em massa de funcionários e o fechamento de agências, transferindo para os trabalhadores o custo de más gestões passadas.

Enquanto o alto escalão da estatal recebeu aumentos de 14% neste ano, a categoria luta por reajuste que reponha a inflação e pela manutenção de conquistas históricas, como adicional de férias e compensação por trabalho aos fins de semana.