
Receber valor em dinheiro é sempre importante para os trabalhadores. PLR é uma destas situações.
Entretanto, no caso da PLR do SERPRO, não podemos nunca nos esquecer que sua distribuição já foi linear, o que na concepção da ampla maioria dos trabalhadores era considerado mais justo.
Outro aspecto relevante é que o valor distribuído na forma de RVA (Remuneração Variável Anual) à diretoria não era tão exorbitante, o que amplia a injustiça e a desigualdade. Afinal, o SERPRO não existiria sem seus trabalhadores, que produzem. Isso não se pode dizer dos cargos executivos de diretoria, que poderiam deixar de existir e a Empresa continuaria a pleno vapor. Sem contar que os salários destes executivos são muito mais altos do que os dos trabalhadores, juntando a gratificação de função que também é um diferencial.
A alta lucratividade do SERPRO soa contraditória diante do descaso com o bem-estar dos empregados. Seria mais justo que esses resultados fossem reinvestidos no plano de saúde, aliviando o bolso do trabalhador. No entanto, prevalece a visão de que saúde é custo, uma mentalidade enraizada em sucessivas diretorias que ignoram os apelos da categoria, tornando nosso diálogo uma persistente pregação no deserto.
É sempre um abismo entre o que recebe a diretoria e o que recebem os trabalhadores em PLR. E, infelizmente, não existe nenhum pudor. E nem podemos nos valer do ditado “farinha pouca o meu pilão primeiro”, porque para a diretoria a farinha é muita.
Que se indignem os trabalhadores. Que se revoltem seus representantes e parem de legitimar com a comissão paritária esta desigualdade. Maior investimento nos trabalhadores do SERPRO. Por um plano de saúde que o SERPRO pague a maior parte do seu custo, garantindo assistência de qualidade aos trabalhadores.



