
Explosão, desabamentos e mortes. Estas têm sido as consequências da privatização da Sabesp, companhia de água e esgoto em São Paulo. A privatização demitiu, aumentou o lucro e piorou os serviços, mostrando como pode ser o futuro caso a Copasa seja vendida em Minas Gerais.
SABESP PRIVATIZADA PROVOCA EXPLOSÃO EM SP É A QUARTA TRAGÉDIA EM UM ANO
Uma obra da Sabesp (companhia de água e esgoto em São Paulo), empresa privatizada em 2025, provocou uma explosão de grandes proporções, deixando um morto, três feridos (dois com gravidade), 160 afetados e 46 imóveis interditados no último dia 11 de maio. A explosão ocorreu após a obra da Sabesp atingir uma rede de gás no bairro Jaguaré, zona oeste de São Paulo.
Esta é a quarta tragédia provocada pela Sabesp privatizada há cerca de um ano. Em março de 2025, dois trabalhadores morreram soterrados numa obra da Sabesp em Ubatuba. Em setembro de 2025, uma tubulação caiu sobre uma idosa de 79 anos e a matou em Mauá. Há dois meses, em março de 2026, um rompimento de reservatório em Mairiporã matou um operário, destruiu veículos e atingiu residências.
LUCRO MAIOR E SERVIÇO PIOR APÓS PRIVATIZAÇÃO
A Sabesp foi privatizada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em julho de 2024, e hoje é controlada pela Equatorial, empresa que atuava, até então, no setor de energia.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Água e esgoto de São Paulo (Sintaema), 40% dos trabalhadores foram demitidos desde a privatização. A maioria quadros mais antigos e experientes da empresa, o que teria afetado a memória técnica da companhia. Em seus lugares, foram contratados terceirados sem o mesmo conhecimento e experiência.
Após a privatização, o número de queixas sobre a falta de qualidade do serviço de água e esgoto em São Paulo aumentou. Entre janeiro e março de 2026, as reclamações cresceram 70%, passando de 1.041 para 1.770, em comparação com o mesmo período de 2025.
Os serviços pioraram, mas o lucro aumentou. No primeiro trimestre de 2026, o lucro aumentou 32,3% e chegou a R$ 1,5 bilhão comparado ao mesmo trimestre de 2025.
AÇÕES SUBIRAM 127% DESDE A PRIVATIZAÇÃO
Lembrando que a Equatorial Energia pagou R$ 6,9 bilhões para controlar a empresa tendo apenas 15% do capital total. Desde a privatização, as ações da empresa subiram 127%. Ou seja, valorizou mais que o dobro inicialmente pago.
Infelizmente, esse é o modelo que vem se apresentando para a nossa Copasa. Prova disso é que o processo, atualmente, está travado por decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) devido à ausência de estudos técnicos.



