
Por Alysson dos Santos
Em termos gerais, os nerds são pessoas que se especializam em nível profissional. Diferente dos profissionais, os nerds se especializam unicamente por interesse, e não por qualquer outro objetivo, como, por exemplo, o pagamento. A humanidade sempre teve nerds; entretanto, não havia como eles se agruparem. Os dois motivos relevantes: o primeiro é que não eram socialmente reconhecidos, e o segundo é que não havia nenhum diferencial financeiro para os nerds.
Até os anos 1980, as pessoas compravam bens — como uma geladeira — para durar a vida toda. Portanto, não havia espaço para o funcionário nerd, cheio de ideias de como fazer uma geladeira melhor na próxima onda de produção. A partir de 1980, surge o mercado baseado em inovações tecnológicas, que abre espaço para que os nerds tragam melhorias assim que o produto novo sai da prancheta. Esse espaço permitiu que os nerds assumissem posições de destaque em diversas indústrias, em especial a indústria de informática. Software, em geral, tem várias versões; o campo infinito é para as ideias dos nerds, lhes dando destaque e reconhecimento financeiro.
Com isso, organizados como grupos, os nerds passaram a consumir aquilo que os interessava. Tendo capacidade econômica, dialeticamente foram reconhecidos como grupos e passaram a consumir produtos culturais que hoje chamamos de cultura nerd. Curiosamente, a ficção científica é um produto muito consumido pelos nerds, em especial aquelas histórias em que máquinas podem destruir toda uma sociedade.
No caso que vamos tratar agora, parece que a máquina criada pelas horas de trabalho dos nerds — a Inteligência Artificial (IA) — está pronta para destruir os próprios nerds num enredo que ruma para a distopia. A máquina não usará armas avançadas, mas destruirá a capacidade financeira dos nerds e ao tomar os seus empregos, já que se espera que a IA apresente resultados tão bons quanto os dos nerds. Com isso, a cultura nerd também será impactada. Pois, sem clientes, a cultura Nerd no capitalismo acaba morrendo também.
Lembre-se, mesmo que a IA seja inferior ao bom trabalho do nerd, se o patrão acreditar que é a mesma coisa, no capitalismo não importa a verdade, o emprego será cortado.
Para salvar a cultura nerd, os nerds precisarão se unir e se juntar aos não nerds como classe trabalhadora, garantir que seus empregos sejam preservados e que suas ideias sejam colocadas em prática, e não deixar que a inteligência artificial tome seus empregos e desumanize o setor produtivo humano. Senão, teremos a distopia da punk, talvez sem o cyber. Nerds e não nerds precisam lutar por um mundo onde a IA seja parceira, como os computadores das naves de Star Trek, e não inimiga, como um Ultron de uma big tech alienígena qualquer.
Nerds, uni-vos e reconhecei-vos como os trabalhadores que são, rumando para a nossa utopia.



