
Um efeito pouco falado do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais é o maior tempo disponível para que jovens possam continuar na escola e o retorno dos adultos aos estudos.
De acordo com o estudo “Redução da Jornada Pode Favorecer Condições para Jovens Conciliarem Trabalho e Estudo”, produzido pelo Dieese, estima-se que a redução de jornada e o fim da 6×1 poderá aumentar em até 45 mil o número de jovens com idade entre 18 e 29 anos que conciliam emprego com estudos.
O documento busca demonstrar “como as condições concretas de inserção no mercado de trabalho, especialmente as jornadas extensas, podem limitar o tempo disponível para estudo, qualificação continuada e desenvolvimento profissional, e mostrar que, ao mesmo tempo, há maior concentração de trabalhadores com baixos níveis de escolaridade em ocupações com jornadas mais intensas e menos acesso a oportunidades de formação”.
As 44 horas semanais geralmente são um impeditivo para quem quer conciliar trabalho e estudos. A rotina estafante da escala 6×1 não permite que a folga semanal seja usada para execução de tarefas escolares. Com duas folgas, o cenário começaria a mudar.
Quem trabalha 40h recebe mais
Levando-se em conta o trabalhador brasileiro em geral, quem trabalha 40h recebe, em média, mais que o dobro (R$ 5.555,00) de quem trabalha entre 41h e 44h (R$ 2.562,00). A discrepância entre as remunerações deve-se, principalmente, ao perfil do trabalhador de 40h. Ele normalmente pertence a categorias mais sindicalizadas e tem mais escolaridade. A maior parte deles tem Ensino Superior completo.
Segundo o Ministério do Trabalho, a maioria (75%) dos trabalhadores com CLT tem jornada acima de 40h semanais. Os setores de agropecuária, construção e comércio lideram esta estatística com 90% de seus trabalhadores com jornada superior a 40h.



