O CHOQUE DAS MEMÓRIAS NO BRASIL

As três maiores fornecedoras de memória DRAM do mundo (Samsung, SK Hynix e Micron) estão sendo processadas, nos EUA, por um grupo de demandantes representados pela Bathaee Dunne LLP. A denúncia diz que as empresas combinaram focar a produção nas memórias HBM para os datacenters de IA e diminuir a produção DRAM, como DDR3 e DDR4, que usamos nos nossos aparelhos domésticos como PCs, celulares, videogames entre outros, aumentando, como consequência, os preços para os consumidores. Em outras palavras, as “gigantes” da memória estão fechando uma espécie de cartel.
O fato é que nos últimos 12 meses o preço das memórias RAM sofreu uma inflação de quase 200%. Dado a importância e o aumento dos preços, este impacto só é comparável com o primeiro choque do petróleo de 1973. Como é impossível usar estes aparelhos eletrônicos sem memória, os preços estão ficando impagáveis mundo afora.
Na época do choque do petróleo, o Brasil aumentou seus investimentos na Petrobras, o que garantiu ao povo brasileiro estabilidade nos combustíveis frente a estes choques internacionais, mostrando que o Brasil sabe o caminho da soberania e dos seus interesses estratégicos.
Infelizmente, no caso dos eletrônicos, o Brasil tomou o caminho contrário. Embora o País seja o 3ª maior exportador da matéria prima dos chips e da memória RAM, que é o silício metálico, o Brasil importa os chips prontos fabricados nos países conhecidos como tigres asiáticos, pagando 10 mil vezes mais do que recebeu pelo mesmo volume na venda do silício metálico!
Isso é um verdadeiro “ralo” por onde escoa o dinheiro brasileiro e, neste sentido, qualquer medida para reduzir essa perda se paga com folga. Esse “ralo” foi aberto com políticas de abertura de mercado de 1992, que levaram as empresas Brasileiras de chips – como a SID Microeletrônica, cuja fábrica ficava em Contagem-MG – a encerrar a produção de 1996, tudo em favor da importação de componentes que, à época, eram mais baratos. Contudo, com os preços dos chips subindo três vezes só nos últimos 12 meses, fica cada vez mais evidente que o mais barato teria sido manter a produção nacional.
Se o Brasil fabricasse internamente todos os chips que precisa, ele consumiria menos 1% das 200 mil toneladas de silício metálico que exporta. Mesmo que o Brasil estivesse uma geração atrás dos líderes, fabricando DDR4 e DDR3, o momento atual significaria uma oportunidade gigantesca de expansão de mercado para os chips brasileiros. Falando de intervenção externa, os chips feitos no Brasil poderiam ser 100% protegidos de espionagem e sabotagem estrangeira.