MOVIMENTO QUE QUER FIM DO VOTO DE MULHERES,IMIGRANTES E POBRES CRESCE NOS EUA E CHEGA AO BRASIL

“Mulher não deve votar”. Apesar de ser uma afirmação absurda, um número crescente de influencers e religiosos norte-americanos está pregando que as mulheres “votam de forma emocional” e, por isso, não deveriam votar ou, no máximo, seguir os votos dos maridos.

No Brasil, a discussão sobre o voto feminino veio a partir de uma confusão entre bolsonaristas após a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro, expor em um vídeo que o enteado e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a humilhou e disse que ela não entende de política.

Na sequência, o apoiador de Flávio nos EUA, Paulo Figueiredo, publicou outro vídeo dizendo que “mulher vota muito mal”.

Desde então, a discussão tomou conta do debate político brasileiro.

O movimento encontrou ressonância, tanto no Brasil como nos EUA, em blog e podcasts sobre tradwife (esposas conservadoras), esposas-troféu e redpills (homens que tratam mulheres como objetos).

Mulheres, imigrantes, pobres e trans na mira

O primeiro grande passo já foi dado nos EUA. Em 30 de janeiro de 2026, Trump mandou um projeto eleitoral para o congresso dos Estados Unidos em que, para votar, o eleitor deveria provar sua cidadania norte-americana.

A princípio, a “Save America Act” seria apenas mais uma lei anti-imigrante de Trump, mas os requisitos pedidos excluem também pobres, pessoas trans e mulheres.

Vale lembrar que atualmente, a lei eleitoral dos EUA já exige que os eleitores sejam cidadãos norte-americanos.

Entretanto, Trump quer que essa comprovação se dê com documento de identificação com voto e nome de batismo. E é aí que as mulheres podem ser afetadas diretamente.

Nome de casada

Além de 21 milhões de norte-americanos não possuírem documentos facilmente acessíveis que comprovem sua cidadania, milhões de mulheres serão afetadas por terem mudado de sobrenome após o casamento. Não só as mulheres, obviamente, mas todos que mudaram de nome e/ou sobrenome. Dessa forma, o nome na identidade não bateria.
Outros 2,6 milhões de norte-americanos seriam afetados por não possuírem documentos com foto de validade nacional.
Mas piora.

Câmara dos EUA aprovou projeto

No dia 11 de fevereiro de 2026, a Câmara dos Representantes (o equivalente à nossa Câmara dos Deputados) aprovou o projeto de Trump. Desde então, o projeto está no Senado e ainda não foi votado.

Como os estados norte-americanos têm muita liberdade legislativa, muitas unidades de Federação estão mudando, por conta própria, suas leis eleitorais adequando-as ao projeto de Trump.

No dia 24 de junho, Trump se negou a assinar um projeto de lei, aprovado quase unanimemente no Congresso, que agiliza a construção de moradias populares.
O presidente dos EUA está condicionando a assinatura do projeto à aprovação do Save America Act. Por enquanto, segue o impasse nos EUA.