
O Serpro, empresa pública federal, essencial como guardiã da soberania digital do estado brasileiro, está fazendo parceria com as big techs dos EUA que nos espionam, nos dominam e lucram com nossa dependência (Amazon, Microsoft, Google, Oracle), para a constituição da “Nuvem Soberana”.
Esta “Nuvem Soberana” é o aprofundamento da dependência tecnológica e o ataque a qualquer possibilidade real de soberania, erro estratégico gravíssimo diga-se de passagem e sabemos que incomoda quem fala sobre isso.
O Serpro deveria estar investindo em infraestrutura pública, software livre e autonomia estratégica e não entregar o futuro digital do Brasil nas mãos de corporações que respondem a leis estrangeiras e a interesses que são diretamente contrários aos do povo brasileiro.
Essa falsa nuvem soberana não estaria entregando as chaves do cofre digital do Estado brasileiro? O Brasil será dono de alguma coisa? Do software, do hardware, dos dados? Mesmo que o servidor esteja em Brasília, o controle não estaria em Washington?
O discurso de que “transformação digital” passa por adotar tecnologias prontas das big techs e que isto é sinônimo de soberania precisa ser combatido principalmente pelos trabalhadores do SERPRO.
Retomar o Software Livre não é nostalgia, é urgência. Temos de construir infraestrutura digital sem depender de quem lucra com nossa submissão. Precisamos refletir sobre esta realidade de que vivemos sob o domínio de algoritmos que decidem quem trabalha, quem consome, quem é incluído ou excluído, e quase tudo isso rodando em servidores controlados por empresas estrangeiras.
Precisamos responder a seguinte pergunta de Paul Singer: é possível um desenvolvimento tecnológico que não reproduza desigualdades, mas as supere? Construir data centers com alternativas digitais verdadeiramente soberanas, com softwares livres, códigos abertos e governança comunitária ou pública, torna-se parte inseparável da luta pela soberania nacional e pela justiça social.
Cada vez mais temos de nos insurgir contra a política de transformação do SERPRO em barriga de aluguel destas big techs estrangeiras.
Cada vez mais temos de dizer NÃO a terceirização.



