
O SINDADOS/MG promoveu no último sábado, 19 de setembro, o Dia da Liberdade de Software BH 2026, que contou com a presença de ativistas novos e históricos da iniciativa Software Livre.
A atividade foi composta por uma programação que discutiu temas de extrema relevância e foi transmitida no YouTube do Sindicato. Veja aqui (https://www.youtube.com/watch?v=DNO1IzjB4D4).
Software Livre em BH
A primeira mesa do dia foi “A história que o código não conta: raízes, trajetória, rupturas e resistência do Software Livre em Belo Horizonte”. O tema foi debatido pelos palestrantes: Paulo Henrique Santana, da Comunidade Debian; Nazaré Bretas, do Instituto de Sustentabilidade para Movimentos Sociais, e Gildásio Cosenza, diretor do SINDADOS/MG.
Criando transtornos para forçar uso de software proprietário
Na sequência veio o painel “Software Revolucionário”, que foi apresentado pelo diretor do SINDADOS/MG, Alysson dos Santos. Ele mostrou como a Microsoft tentou, no início dos anos 2000, barrar outros navegadores de Web, como o Netscape, para forçar o uso do seu, o Explorer. O expositor disse, ainda, que a empresa cria incompatibilidades de softwares abertos com o Windows para criar transtornos aos usuários.
Tecnofeudalismo e FediVerso
O professor Frederico Guimarães, da Comunidade FedVerso, palestrou sobre “Tecnofeudalismo: por que e como as Big Techs cercaram e se tornaram a nossa infraestrutura padrão”.
Em sua explanação, Guimarães explicou que o tecnofeudalismo seria um feudalismo em que as Big Techs são os senhores feudais, os vassalos são os vendedores de market places de empresas como Amazon e Magazine Luiza, e os servos são as pessoas que, mesmo que não estejam comprando, estão fornecendo dados às Big Techs por meio das redes sociais.
O professor explicou que o FediVerso é uma espécie de agregador de redes sociais livres e independentes, como Mastodon, Pixelfed, Lemmy, etc. Mesmo em servidores diferentes, elas conseguem mandar mensagens/posts entre si, tal como um e-mail. No FediVerso, há um controle pleno sobre os dados. Quando alguém decide apagar seu perfil, ninguém fica com seus dados armazenados.
Para entrar no FedVerso, basta entrar numa das redes e criar uma conta. Para usuários iniciantes, recomendamos entrar na organica.social e criar uma conta.
Um caminho para conhecer mais sobre o Fediverso é o site alquimidia.org
Software Livre e direito à cidade
Os técnicos da Prodabel, estatal de informática de Belo Horizonte, explicaram como se dá o uso e a importância do software livre no Poder Público. Participaram do painel a analista de geoprocessamento, Flávia Diniz; o diretor de Sistemas, Carlos Bortone; o gerente de Dados, João Augusto Lima, e o superintendente de Arquitetura de Sistemas, Tarik de Melo Silva.
Hoje, a política da Prefeitura de Belo Horizonte é dar preferência para utilização do software livre. “81% é software livre”, informou Tarik de Melo.
Software Livre e Movimentos Sociais
A “Mesa de Diálogo Software Livre e Movimentos Sociais: discussão para autonomia e soberania digital brasileira”, foi composta pela coordenadora do SINDADOS/MG, Rosane Cordeiro; o diretor do Senge-MG, Vicente Trindade; Ronaldo Serpa, da UMBH; e Danielle Amorim, da LPS (Luta Popular e Sindical).
“Quem produz, para onde os dados estão indo, quem controla os acessos?”, questionou Danielle Amorim, que fez uma reflexão sobre a possibilidade de se mapear pessoas, de fazer mapas que mostrem o “invisível”, mas o protejam.
Rosane Cordeiro ressaltou a necessidade de vincular o debate sobre a soberania digital com outras pautas como o fim da 6×1, terceirização e defesa das empresas estatais. “Posicionar-se contra a privatização é defender que os dados dos brasileiros permaneçam sob governança pública, com finalidade pública, sem se tornarem insumo para a financeirização da existência de cada cidadão”.
“A defesa da empresa pública, da privacidade dos cidadãos e da Democracia não são causas separadas. São a mesma causa, vistas sob ângulos diferentes”, disse Rosane. E concluiu: “Não existirá soberania nacional sem soberania digital”.
IA, soberania e justiça algorítmica
A última palestra do encontro foi da secretária de Tecnologia da Fenadados e integrante da Frente por IA com Direitos Sociais, Márcia Honda. Ela falou sobre “Inteligência Artificial, Direitos Sociais e Software Livre: Desafios para a Soberania e a Justiça Algorítmica” e, também, sobre as ações do SINDADOS/MG e da Fenadados em prol da soberania digital e dos trabalhadores de TI.
“O SINDADOS/MG é um sindicato combativo e atuante. Todos os sindicatos reconhecem o protagonismo do SINDADOS em temas como Soberania Digital, Frente por IA com Direitos Sociais e Quilombos Sindicais (…). A tecnologia é nossa ferramenta de trabalho e nosso instrumento de lutas”, frisou Márcia Honda.
Como fruto dos debates realizados no Dia da Liberdade de Software em BH, publicaremos, na próxima edição do Toques&Dados, um artigo sobre o Software revolucionário.



