UM GOLPE CONTRA OS TRABALHADORES …
Quem acompanhou o desenvolvimento da campanha salarial da Dataprev e que participou das discussões e das assembléias aqui em MG ficou sem entender o desfecho da campanha. As manobras da direção da empresa mancomunada com ditos “representantes dos trabalhadores” lograram êxito na Dataprev e permitiram que os dirigentes da empresa fizessem direitinho o dever de casa repassado pelo governo Lula, pois impôs aos trabalhadores a derrota do acordo bianual com uma proposta de reajuste ridículo e um abono que nem de longe alivia o sufoco financeiro dos trabalhadores.
Diferentemente do que está acontecendo no Serpro, onde a resistência dos trabalhadores é muito grande, e mesmo pelas características da Dataprev, que concentra a maioria absoluta dos trabalhadores no Rio de Janeiro, quando no Serpro o número de trabalhadores é representativo em 10 regionais, subitamente, sem que tivesse absolutamente nada de novo, a coordenação de campanha convocou uma reunião de comando que tirou o encaminhamento de realização de assembléias para rediscutir o que já havia sido discutido e deliberar sobre o que já havia sido rejeitado sistematicamente pelos trabalhadores o ano inteiro. O interessante é que esta proposta de convocação desta famigerada assembléia foi consenso entre todas as forças políticas que compõem a organização dos trabalhadores a nível nacional (PT/PSOL/PSTU dentre outros), a exceção do Sindados/MG, cuja direção majoritária é composta por companheiros que integram a corrente de oposição nacional Causa Operária.
Em Minas Gerais não ocorreu nova assembléia porque não fazia o menor sentido, pois os trabalhadores da Dataprev já haviam rejeitado a proposta miserável da empresa em mais de uma oportunidade. No Rio de Janeiro e outros estados, o que foi feito foi uma farsa, o que resultou num grande movimento orquestrado pela empresa, que colocou nas assembléias pessoas que nunca tinham participado, em nenhum momento das atividades de campanha, que não haviam se feito presentes nas assembléias anteriores, dentre eles um contingente grande de chefes, para – deste modo – e sem qualquer explicação sobre o significado da traição do acordo bianual, aprovar a proposta da empresa.
Em geral, participam das assembléias os trabalhadores mais conscientes e são estes que dão a sua contribuição na luta pela conquista de novos direitos e por melhores salários. Também sabemos que quem faz greve são exatamente estes trabalhadores, que mesmo sendo minoritários, sempre fazem a diferença. A aprovação do acordo da Dataprev não se deu por estes companheiros, que certamente defenderam contra a assinatura do mesmo e votaram contra, conscientes de que tal decisão implica na tentativa de retirar dos trabalhadores o direito de negociar o reajuste de seus salários e a melhoria de seus direitos todo ano.
Estes combativos companheiros que estão em todos os lugares, em todas as empresas, em todos os locais de trabalho sabem que os acordos bianuais, além de representarem um atentado contra as condições de vida dos trabalhadores e contra seu direito individual e coletivo de reivindicar melhorias, também atentam contra a própria razão de existência dos sindicatos, a quem “cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria” (Art. 7º. da Constituição Federal) e devem ter como principal função lutar pelas reivindicações dos trabalhadores, quando for necessário: todo dia, toda semana, todo mês, todo ano etc. Da parte dos “sindicalistas” que foram os principais instrumentos desta manobra denunciamos: tentar impor que a categoria fique sem lutar por melhores condições salariais e de trabalho por dois anos é uma aberta traição aos trabalhadores.
Aos trabalhadores da Dataprev e demais empresas da categoria, de todo o País, chamamos a denunciar esta traição e à necessidade de organizar em todos os sindicatos oposições sindicais classistas para expulsar das organizações dos trabalhadores os “sindicalistas” que só servem aos interesses dos patrões e do governo.

