Serpro garante que não haverá desemprego interno e demissões; sindicatos permanecem atentos à situação

Serpro planeja migrar centro de dados de São Paulo para Brasília

Durante reunião de negociação do ACT 2017-2018 do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), realizada no dia 24 de julho, em Brasília, a empresa falou sobre os planos de migração do centro de dados de São Paulo para a capital federal. Na ocasião, esteve presente o diretor de Operações do Serpro, Iran Porto Junior, em resposta à demanda de esclarecimentos oficiais feita por parte das representações dos empregados. O diretor foi questionado sobre vários aspectos da possível mudança, como previsão de datas, riscos da operação, economia pretendida, desemprego interno, etc. Confira os esclarecimentos.

Dificuldade orçamentária e obsolescência tecnológica

De acordo com Iran, o Serpro vive um momento de dificuldade orçamentária que está limitando a capacidade de investimentos da empresa, inclusive na renovação do seu parque tecnológico, fator que se agrava, segundo ele, quando tem-se que trabalhar com três centros de dados. “Aí nós tivemos um problema muito objetivo, que era a necessidade atualização dos dois mainframes que o Serpro tem. Um em Brasília e outro em São Paulo. Por necessidade de obsolescência, precisaríamos fazer a substituição dessas duas máquinas. Diante disso, uma das possibilidades que foi avaliada, isso ainda no ano passado, passava pela consolidação dos dois mainframes, Ou seja, substituir dois mainframes por um que fosse capaz de suprir a necessidade de demanda dos nossos clientes. Esse foi o cenário economicamente mais interessante”, afirmou o diretor, acrescentando que essa escolha representaria uma economia R$ 54 milhões em atualizações tecnológicas ao longo dos próximos três anos.

Ainda segundo Iran, a ideia de consolidação dos mainframes evoluiu para a ideia de consolidação dos dois centros de dados, com todos os serviços que hoje estão em São Paulo passando a ser trabalhados em Brasília. “Esse processo de consolidação dos centros de dados não é uma inovação do Serpro, outras empresas já passaram por isso, como o Banco do Brasil e o Itaú”, citou.

Quando se dará a mudança?

“A expectativa nossa é concluir esse trabalho de consolidação dos dois datacenters em fevereiro/março do ano que vem, para a gente começar o processo da entrega do imposto de renda já num datacenter consolidado”, afirmou Iran, ponderando que essa previsão não é definitiva, depende ainda dos estudos de riscos que estão sendo feitos pela empresa.

Desemprego interno

“Todo o processo de trabalho permite que os times de suporte, que hoje já atendem ao centro de dados de São Paulo, continuem prestando o suporte, mesmo com o datacenter em Brasília. Nós não estamos buscando ou tentando fazer com que haja desemprego no time de São Paulo, pelo fato da migração do centro de dados. Pelo contrário, estamos readequando as atividades para que as pessoas possam, remotamente, prestar o suporte, como elas já prestam hoje nos serviços da Receita Federal”, anunciou o diretor.

Backup

Sobre a replicação do mainframe, o Diretor afirmou que o CBU (backup) da máquina da Regional Brasília ficará no prédio da Sede e que os riscos dessa proximidade serão colocados na mesa com os clientes de forma transparente. “O fato é que isso hoje traz uma economia inquestionável e o cliente também não tem essa capacidade de pagar por três datacenters. Não entendo que o fato de a gente ter um datacenter único coloque em risco a soberania nacional. Mas estamos medindo todos esses fatores de risco para que possamos prestar o serviço, dado o nosso mapa financeiro e nossa capacidade de manter dois datacenters atualizados. Ter dois datacenters e não conseguir manter os dois atualizados nos impõe, na minha visão, muito mais risco do que ter um único datacenter atualizado pelo topo da tecnologia”, avaliou.

Nenhum serviço a menos

“O datacenter está saindo de São Paulo e indo pra Brasília, mas todos os serviços prestados pelo datacenter de São Paulo serão prestados pelo datacenter de Brasília. Em nenhum momento nós estamos falando de encolhimento na prestação de serviços para os nossos clientes. Estamos falando de uma reorganização da nossa forma de trabalho, da nossa estrutura de trabalho, para que possamos otimizar essa estrutura com menor custo, entregando a mesma coisa e, talvez, com a capacidade de entregar coisas melhores. Nós não estamos devolvendo ou deixando de prestar qualquer tipo de serviço”, garantiu o diretor durante a reunião com os representantes dos empregados.