Aos trabalhadores de TI
Caros colegas.
Todos os anos nos deparamos com um conflito que, em nossa opinião, é orquestrado muito mais pelas próprias empresas, do que pelos trabalhadores ou o sindicato: A CARTA DE OPOSIÇÃO À TAXA DE FORTALECIMENTO SINDICAL.
As empresas, muito mais do que os trabalhadores, AGEM para esvaziar o cofre do sindicato dos trabalhadores enquanto, em contrapartida, enchem o cofre do sindicato patronal.
Cartas PADRONIZADAS são distribuídas como modelo e muitos trabalhadores as reproduzem sem refletir que, com este ato, estão prejudicando a entidade que os defende. Nesta campanha salarial 2018, por exemplo, o Sindados-MG lutou, desde agosto, para impedir o reajuste zero e que a PLR fosse retirada dos trabalhadores.
Sob o argumento de que você tem o direito democrático de se opor ao desconto de 2% (uma única parcela), muitas vezes sugerido através de um modelo de carta que aparece na sua mesa de trabalho ou no seu email, está o projeto de retirar de você mesmo a força de reivindicar.
O Sindados-MG existe para defender os trabalhadores de TI.
Ainda agora, com a reforma trabalhista, a primeira iniciativa das empresas de TI foi de não mais homologar as rescisões no Sindados. Você parou para se perguntar por quê? Você parou para pensar que talvez seja porque este sindicato fiscaliza e confere detalhes das rescisões e, quando tem problema, age para solucioná-lo?
Os trabalhadores já estão sendo prejudicados com recebimento de valores errados, sempre a menor, nas rescisões que estão sendo feitas diretamente nas empresas e já estão denunciando no nosso plantão jurídico.
Assédio moral, assédio sexual, descumprimento de direitos, trabalho igual com salários diferentes, horas extras inferiores a 100%, não pagamento de PLR, descumprimento das normas de proteção à saúde são alguns dos problemas cotidianos da categoria, tratados diariamente pelo sindicato, tanto de forma coletiva, quanto individual.
Os trabalhadores de empresas privadas normalmente não são sócios do sindicato e têm receio de denunciar os problemas por eles vivenciados de forma identificada. Muitas vezes o fazem através de e-mails anônimos e, quando se identificam, pedem sigilo absoluto, cuidado que o sindicato sempre tem.
Pode parecer absurdo, mas os trabalhadores são perseguidos e demitidos por se aproximarem do sindicato, por se associarem ao sindicato, ou mesmo por se mostrarem antenados e conscientes de seus direitos, cobrando quando são lesados.
Você já parou para analisar que, quando você denuncia, o sindicato é seu escudo protetor e é ele que aparece para te defender?
Agir em sua defesa custa financeiramente.
Quando você não autoriza o desconto da taxa de fortalecimento sindical, seu patrão morre de rir e você nem se dá conta disso.
Enquanto você recebe 3,65% de reajuste (apenas a reposição do poder de compra do salário), seu patrão está pesquisando qual será o melhor roteiro de viagem que fará para aliviar o stress de pensar como extrair de você maior produtividade a um menor custo.
É assim que acontece normalmente, ainda que existam empresas legais para se trabalhar, ainda que existam gerentes legais de se conviver, ainda que o dono da empresa seja um cara simples e próximo de seus “colaboradores”. Afinal, os trabalhadores de TI não vão aceitar o chicote se ele for explicito. É preciso fazer com que o trabalhador se sinta “parte” do negócio, que “vista a camisa”. Mas o chicote explicito também existe. Pedimos a você que reflita sobre o que aqui dissemos e analise o seu ambiente e processo de trabalho.
Analise o que está acontecendo ao seu redor. As empresas crescem e a ampla maioria dos trabalhadores continua lutando para fazer seu salário pagar todas as contas, quando dá para pagar, porque normalmente sobram contas e falta salário.
Pedimos a você que não se enfraqueça como trabalhador enfraquecendo o seu sindicato.
Pedimos a você que reflita e não faça a carta de oposição à taxa de fortalecimento sindical.



