O impasse entre a GEAP e a DATAPREV, referente ao reajuste do plano de saúde, é um tema que vinha sendo pautado de forma permanente pela representação dos trabalhadores ao longo deste ano. A representação da Empresa, por sua vez, sempre respondeu afirmando que estava “tratando” do assunto, sem, contudo, entrar em detalhe. O fato é que, absurdamente, a GEAP anunciou um aumento de 62,5% no plano de saúde, em pleno processo de negociação coletiva. Caso seja colocado em prática, tal aumento significará rebaixamento de salário dos trabalhadores.
No caso específico de Minas Gerais temos uma liminar em vigor, que, enquanto existir, impede a prática do reajuste. Ou seja, o que para muitos trabalhadores de outros estados significa o desespero imediato, no nosso caso não acontece por causa da ação judicial com vitória parcial do Sindicato. Esperamos ganhar esta ação, entretanto, sabemos que o Judiciário é sempre uma incógnita.
Infelizmente, a direção da Empresa tem se importado quase nada com a situação dos trabalhadores. Aumentar sua participação per capita para dar aos empregados a tranquilidade de continuar produzindo sem se preocupar com a assistência à saúde parece não ser preocupação da DATAPREV.
A política de privatização
Para o atual governo e seus administradores de plantão não tem importância nenhuma o fato da GEAP ser, desde 1945, uma das mais importantes operadoras de planos de saúde do Brasil, que cuida da saúde dos servidores e empregados públicos federais ativos, aposentados e familiares. Em sua trajetória, tornou-se referência no mercado da saúde suplementar ao investir de forma pioneira num modelo assistencial focado na promoção da saúde, prevenção de doenças e na melhoria da qualidade de vida dos assistidos.
Tal desvalorização se dá porque, afinal de contas, o projeto é acabar com esta entidade sem fins lucrativos, que reverte todos os seus recursos para a assistência integral dos seus mais de 446 mil beneficiários; que agrega o maior número de idosos, com 52% da carteira de beneficiários composta por pessoas a partir de 60 anos; que se orgulha de cuidar da saúde de 500 brasileiros que já passaram dos 100 anos.
A política em vigor no País é a da privatização sem limites e a continuação deste absurdo de aumento sem que a empresa aumente a sua contrapartida. O mais provável, infelizmente, será o esvaziamento da GEAP, colocando-se em prática o projeto de buscar no mercado um plano de saúde para os trabalhadores da DATAPREV, certamente pior que, num primeiro momento, será apresentado como “mais em conta”, mas isso só no primeiro momento.



