Apesar da enorme dificuldade de chegarmos a uma conclusão nesta campanha salarial, diga-se de passagem, por tão pouco, e uma queda de braço desnecessária estabelecida pela direção da Empresa, um número importante de trabalhadores decidiram defender a pauta de reivindicações que nada mais é do que a busca da renovação do atual Acordo Coletivo, mais a correção dos salários e demais cláusulas de natureza econômica pelo INPC do período, além da reposição da perda de 4%.
Não vamos nos cansar de dizer que os trabalhadores foram profundamente razoáveis, analisando a conjuntura e fizeram uma pauta enxuta e realista. A expectativa de todos era de já estar com o ACT renovado. Todavia, os retrocessos que assombram a classe trabalhadora brasileira também estão presentes entre nós e até na PRODABEL parece que querem sangrar os trabalhadores, reduzindo-lhes direitos e impondo-lhes perdas, inclusive, econômica.
O aumento do desconto do tíquete e a não aplicação do índice de reajuste no tíquete, no auxílio creche e no auxílio lanche são perda econômica para os trabalhadores, vai piorar a condição de vida dos mesmos.
A redução do percentual de hora-extra para o patamar mínimo da CLT é uma imposição irracional da direção da PRODABEL, que só se justifica se a Empresa estiver pretendendo exigir mais dos trabalhadores lhes pagando menos. Não sendo isto, basta a Empresa administrar a demanda de horas-extras e é possível que até se reduzam custos com esta gestão que não é feita a contento hoje.
E o mais interessante de tudo é que aqueles que lutam pela manutenção dos direitos duramente conquistados ao longo de anos serão, juntamente com as representações dos trabalhadores, caracterizados como intransigentes, na mais profunda inversão de valores.
Falta pouco para chegarmos ao entendimento e este pouco não são os trabalhadores que têm de ceder. É a Empresa. Afinal de contas, os trabalhadores levam um ano inteiro com seus salários perdendo o poder de compra, e a retomada da defasagem recomeça no primeiro dia após o recebimento da correção salarial com a assinatura do ACT, pois há muito não existe AUMENTO REAL DE SALÁRIO, mas apenas a recuperação da perda do período.
Apesar de toda a pressão da Empresa e da tentativa do seu diretor administrativo de menosprezar os trabalhadores que estão lutando, dizendo, em provocação paralela na audiência do Ministério Público, que estes podem ficar 6 (seis) meses parados que tal ausência não impacta em nada na PRODABEL, a GREVE CONTINUA, A LUTA CONTINUA! Cada trabalhador que está parado sabe do seu valor.
A construção do Acordo Coletivo de Trabalho traz benefícios para TODOS. Mas sua defesa sempre foi uma luta dos espíritos mais inquietos, que não compactuam com a injustiça, e determinados em fazer avançar os direitos. Assim também é a luta pela manutenção das conquistas. E é exatamente porque existem estas pessoas que a humanidade evoluiu em todos os aspectos da vida. Pensar fora da caixa. Não se conformar com o que se apresenta como definitivo e tentar sempre o que é melhor. É esta a lição que os aguerridos trabalhadores da PRODABEL, que estão na greve, dão de ensinamento. VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!
Um chamado aos colegas que ainda estão trabalhando
Aos companheiros que ainda não aderiram à greve fica a nossa reflexão e o nosso chamado: Venham participar desta luta por justiça e respeito! Nunca é demais lembrar que acreditamos na força de nossa união e que as conquistas dos trabalhadores PRODABEL nunca “caíram do céu”. Foram fruto de nossa luta e determinação. Cada um que fica dentro da Empresa, ainda mais diante de tanto constrangimento como estamos vivendo nesta campanha salarial, faz falta. Venha fazer parte desta luta que também é sua!
Mediação na SRT e no MPT
A Empresa se recusou a ir às reuniões de mediação solicitadas pelo Sindicato na Superintendência Regional do Trabalho (SRT) e compareceu na reunião de mediação solicitada por alguns de seus empregados com cargo de confiança e cargos de recrutamento amplo no Ministério Público do Trabalho (MPT). Qual a diferença entre estas duas reuniões? A da SRT foram os trabalhadores, através de suas representações, que solicitaram a presença da Empresa. A do MPT foi a PRODABEL, através de alguns cargos comissionados ligados predominantemente à área administrativa da empresa e alguns recrutamentos amplos contratados na gestão do atual diretor administrativo, que solicitou a presença do Sindicato. O Sindicato esteve presente em todas as reuniões. A Empresa se fez presente apenas na reunião que ela solicitou, pois ainda que digam que não estão fazendo ingerência e interferência no processo de organização dos trabalhadores, esta é a realidade.
E a presença do Sindicato, junto com a CRT e os trabalhadores em greve, foi para pleitear a renovação do ACT sem nenhuma perda, além da recomposição do poder de compra dos salários e de benefícios de natureza econômica pelo INPC do período e o pagamento da perda de 4%.
Contrainformação
Pedimos a cada companheiro que está em greve que não se deixe impressionar por informações fake. O Sindicato e a CRT estão presentes no plantão diário da greve. Estamos aguardando o agendamento da audiência de conciliação do processo do Dissídio no Tribunal Regional do Trabalho. Até que isto aconteça temos de nos manter firmes, pois nossa união neste momento é fator muito importante no desdobramento da campanha salarial. Tão logo seja agendada esta audiência, informaremos a todos.
Informe sobre os dissídios da URBEL e da BHTRANS
O Dissídio da URBEL foi protocolado, com mútuo consentimento. Já ocorreu a audiência de conciliação e o Dissídio foi aceito pelo Tribunal e está em andamento. Não tem prioridade de julgamento, pois os trabalhadores não estão em greve. Qualquer informação diferente disto é pegadinha, para confundir os trabalhadores em greve e tentar impedir que a greve se amplie.
O Dissídio da BHTRANS teve a audiência de conciliação. O impasse permaneceu. Como os trabalhadores estavam em greve, já foi dado prazo de defesa para a Empresa e dissídio está em andamento. Os trabalhadores retornaram ao trabalho, após audiência de conciliação que garantiu a data base.



