TI: LUGAR AONDE A PRECARIZAÇÃO CHEGA COM FORÇA TOTAL

As mudanças políticas e tecnológicas ocorridas no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologia da Informação (TI) nas últimas décadas resultaram no convívio de antigos e novos modelos de negócio. São empresas públicas e privadas; grandes fornecedoras de tecnologia e serviços; multinacionais brasileiras e internacionais; desenvolvedoras/sustentadoras de software e serviços; empresas ocupando nichos especializados; rede de empresas; terceirizadoras de atividades externas e internas e fornecedoras de mão de obra; empresas com ambientes físicos e virtuais de trabalho, entre outros. Além disto, se amplia a política de privatização das empresas públicas e de terceirização de suas atividades.
Os modelos de negócio estão alterando o perfil profissional nesta área de TIC e TI e antigas e novas relações de trabalho convivem: assalariados e autônomos; antigos freelancers/PJs e microempreendedores individuais (MEI); contratação direta e terceiros; tempo indeterminado, determinado ou intermitente; jornada integral e parcial, além de cooperativas controladas por cooperados e falsas cooperativas.
Em meio a essas transformações, os sindicatos tentam ampliar a sua representação para abranger a crescente quantidade de profissionais a quem é vendida a ilusão de serem empreendedores, autônomos, com flexibilidade de horário e retorno financeiro imediato, pessoas que podem escolher seus clientes e determinar os preços a serem cobrados. Assim, a autonomia, vendida como empreendedorismo e esconde uma relação de trabalho subordinada, sem proteção social e jornadas exaustivas. Por outro lado, as plataformas têm receitas garantidas, sem grandes riscos e se responsabilizam cada vez menos pelos serviços prestados.
Esta mudança na área de TI tem desafiado os sindicatos na busca por garantir melhores condições de trabalho e proteção social para os trabalhadores e na investigação das relações de trabalho, cada vez mais destituídas de direitos, onde o próprio Estado, como empregador (no caso das empresas públicas de TI, ou mesmo na qualidade de contratante de prestadores de serviço na área de TI), principalmente após a reforma trabalhista, tem deixado a desejar para impedir o descumprimento do mínimo previsto na legislação e acordos coletivos/convenções coletivas.
As plataformas que oferecem consultorias, projetos e suporte técnico em computação que proliferam no Brasil têm em comum: trabalho sem direitos, longas jornadas, despotismo algorítmico e gestão férrea do tempo de trabalho. O despertar dos profissionais de TI para esta realidade de exploração é uma necessidade.