SUS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O sanitarista Giliate Coelho Neto, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo em debate promovido pelo Outra Saúde e a Estratégia Latino-Americana de Inteligência Artificial analisa que:

“Se em outras épocas a informatização foi o pilar central do desenvolvimento em Saúde, hoje é a análise e processamento de dados em massa com uso de inteligência Artificial” e “qualquer discussão hoje sobre disponibilização de dados deve passar pela aquisição de tecnologias para a sua proteção”.

Para Giliate o Brasil não usou a Inteligência Artificial para criar políticas públicas, através do cruzamento de dados de imigração, prontuários, geolocalização e consumo (cartão de credito), para conseguir garantir, quase que em tempo real, diálogo com a população e evitar contágios, diferente de outros países.

Uma política de administração de dados em massa, para o sanitarista, “faz parte do desenvolvimento nacional”, pois disponibilização e proteção de dados caminham intrinsecamente juntas e levaria à melhoria do atendimento e a resolução de diversos problemas enfrentados pelo SUS hoje – entre eles, o das filas.

Hoje, os dados coletados pelo Data SUS, não são analisados, segundo Giliate, o que dificulta o atendimento ao paciente. Os desafios para uma política dessa magnitude não seriam poucos – além do próprio

investimento em inovação tecnológica, faz-se necessária uma legislação regulatória que defina regras para operar esses dados e a criação de colegiados de debates sobre o assunto.

Giliate alerta que o setor privado já́ está investindo em peso na área de processamento de dados através da IA e “O setor público não consegue pautar de forma estrutural as suas necessidades, pontuando como prioridades, além da diminuição de filas: a captação de pacientes em risco, neutralizar a utilização

inadequada de medicamentos e aperfeiçoar a alocação de recursos.

Finalmente o sanitarista conclui: se o Brasil não iniciar um plano de desenvolvimento tecnológico e computacional, o paíś entrará novamente em um ciclo econômico já conhecido: enviar um produto (no caso, os dados) para o mercado externo. Empresas estrangeiras irão treinar seus algoritmos, aperfeiçoar

soluções, para então vendê-las ao Brasil.