Ver o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, num piquete de grevistas não é nem raro: é simplesmente a primeira vez que isso acontece na história do País. Ao atender ao pedido da United Auto Workers, o 46º presidente dos Estados Unidos da América fez história. Desde 1789, quando George Washington foi empossado primeiro presidente daquilo que hoje chamamos de EUA, já se passaram 234 anos e 45 ocupantes da cadeira de presidente. Ao longo deste tempo não faltaram oportunidades de presidentes dos EUA estarem juntos aos trabalhadores e fazerem como Joe Biden, que defendeu um reajuste salarial de 40%. Mas a questão é: quais interesses motivaram o presidente estadunidense a se juntar a uma paralisação sindical? Será que Biden é mesmo um “piquetero”?
Primeiro é importante entender o momento político em que tal fato se deu. Os EUA estão as vésperas das eleições presidenciais. Não por acaso, um dia após a presença de Biden ao piquete, foi a vez de Donald Trump, seu adversário político, fazer uma visita ao mesmo local. Não resta dúvidas que a principal motivação dos mandatários é eleitoreira. A conta é simples: quem não apoiar o movimento, não terá votos dos trabalhadores.
A importância da organização dos trabalhadores
Mesmo não tendo como negar a ação populista no apoio prestado aos trabalhadores pelos dois principais candidatos às eleições presidenciais estadunidense, o fato é que a organização dos trabalhadores, através de suas ferramentas de luta, a exemplo da greve, é fundamental para movimentar a correlação de forças. Trocando em miúdos: a participação histórica do presidente dos EUA no movimento grevista, por mais que tenha intenções eleitoreiras, só foi possível graças à pressão dos trabalhadores.
Olhando para as similaridades, em ambos os países temos um histórico de ataques aos SINDICATOS, fortemente baseados em mentiras ou meias verdades, que são ditas na informalidade aos trabalhadores e, malandramente, são “ocultadas” dos SINDICATOS, pois quando chegam morrem perante a luz da verdade. Um exemplo disso pode ser visto na edição do Toques & Dados de 28 de setembro de 2023, na matéria sobre a decisão do STF, que traz luz sobre este assunto em específico.
Tanto nos EUA quanto no Brasil muitos trabalhadores são enganados, com vistas a se manterem sem contato com os seus SINDICATOS, o que se traduz na redução dos direitos e renda e, também, na concentração de riqueza nas mãos de poucos. Essa política de ataques aos SINDICATOS é certamente um fator importante no aumento da desigualdade social, que já atinge níveis insuportáveis. É isso que está levando tanto os trabalhadores em posições modestas, como um analista de sistema, ou trabalhadores com um pouco mais de notoriedade, a reconhecerem os SINDICATOS como um importante instrumento de combate à desigualdade social. E é esta organização das massas que promoverá mudanças históricas e sociais.
Para a área de T.I., em que os profissionais constantemente trabalham com empresas dos EUA e seus produtos, vale lembrar que empregados da Google, Activision Blizzard, Microsoft entre outras estão se sindicalizando, movimento que deve ser seguido pelos trabalhadores brasileiros.
O trabalhador brasileiro deve procurar o seu SINDICATO e participar ativamente das lutas, pois é no SINDICATO que os interesses dos trabalhadores são debatidos e defendidos. Somente sua organização promoverá melhorias nas condições de trabalho e vida. À luta!
Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=XNkZPBf52M8
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-4-conclusoes-sobre-a-participacao-de-joe-biden-no-piquete-de-grevistas/
https://uaw.org/
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-61073350
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/funcionarios-do-google-formam-o-primeiro-sindicato-da-empresa/
https://canaltech.com.br/games/trabalhadores-da-microsoft-criam-maior-sindicato-da-industria-dos-games-235010/


