No horizonte, um novo colapso capitalista mundial

TESE: Está colocado, para o próximo período, um novo colapso capitalista que inevitavelmente colocará a classe operária mundial em movimento. 

ANÁLISE:
1. Os mecanismos de contenção do colapso capitalista mundial, de 2008, começaram a apresentar rachaduras, em 2012, intensificadas ainda mais no ano passado. A economia entrou em recessão nos principais países. A economia real ficou paralisada com a queda do consumo. Trata-se de uma típica crise de superprodução capitalista.
2. Após terem gasto trilhões com o objetivo de garantir os lucros dos monopólios, os estados burgueses se encontram em situação semi falimentar e com enormes dificuldades para garantir a contenção de um novo colapso.
3. De acordo com uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, somente entre 2007 e 2010, o governo gastou mais de US$ 16 trilhões para salvar os monopólios da crise. Considerando todos os repasses, o valor é várias vezes maior. Não por acaso, a dívida pública norte-americana supera os US$ 19 trilhões, três vezes mais do que era em 2007. Situações similares se repetem na Europa, Japão e nos principais países (complemento).

4. Até a especulação financeira, que representa o grosso da economia capitalista, enfrenta crescentes dificuldades para garantir os lucros. As bolhas financeiras continuam crescendo, ameaçando com implosões que farão o colapso de 2008. A situação se tornou tão dramática que vários países de primeira ordem, como o Japão e a Alemanha, estão aplicando taxas negativas. Ou seja, os monopólios são remunerados para obterem empréstimos. Esses recursos são aplicados na especulação financeira. Os simples mortais devem pagar para deixar dinheiro na poupança para que vão às compras.
5. A queda dos preços das matérias primas colocou em xeque a economia dos países atrasados. A América Latina se encontra na linha de frente da crise capitalista, em primeiro lugar, em países importantes como a Venezuela, Argentina e o Brasil. O México, a Colômbia e o Chile também têm visto as respectivas economias piorarem de maneira acelerada. Os demais países foram atingidos pelos mesmos problemas, o que pode ser visto muito claramente na Bolívia, Equador, Peru e no Uruguai.
6. No Brasil, o superávit da balança comercial, no ano passado e neste ano, tem na base, em primeiro lugar, a queda das importações, das quais a economia ficou dependente de maneira umbilical. Isso ocorreu devido à desaceleração industrial, provocada pelo direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. Uma verdadeira “vitória de Pirro”: superávit porque a economia ficou paralisada e ainda com um destino claro, o pagamento dos serviços da parasitária dívida pública, que hoje engole mais de 45% de toda receita do país.
7. Após o mês de setembro de 2008, o governo da “frente popular”, encabeçado pelo PT, direcionou um grande volume de recursos públicos para as grandes empresas, por meio de fartos créditos ao consumo e os repasses realizados pelo Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento), o aumento da especulação com a dívida pública e o aumento da camada parasitária de impostos e juros. Esses recursos públicos e a exportação de matérias primas foram os dois pilares de sustentação da economia nacional que criaram a ilusão de que o Brasil passaria incólume pela crise que atingia em cheio os centros. Como Lula disse, “a crise chegou ao Brasil como uma marolinha”, enquanto o país era devastado pela exploração depredadora em prol das matérias primas. Uma espécie de volta à época colonial, que levou o Brasil a tornar-se o campeão mundial no uso de agrotóxicos e o vice campeão mundial no uso de transgênicos. Tais políticas provocaram acidentes escandalosos como o recente caso da Samarco em Minas Gerais, que ameaça acabar com o Amazonas e o Pantanal, devido à construção desenfreada e especulativa de hidroelétricas, que abriu o país à produção depredadora do xisto etc.
8. Em 2013, o governo Dilma, durante a gestão do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, abriu um novo período no repasse de recursos públicos, graças a concessão de diversas isenções aos fabricantes da “linha branca”, e outros. O objetivo era evitar a bancarrota generalizada devido ao aumento do contágio da crise capitalista mundial.
9. Todas as medidas de contenção da crise têm entrado em colapso. O esgotamento capitalista tem levado o Brasil à linha de frente da crise. E trata-se apenas do “aperitivo”. O “prato forte” está para vir com o estouro de uma nova crise capitalista mundial, que está colocada para o próximo período nos grandes centros. Essa deverá ser muito pior que todas as anteriores, devido ao brutal parasitismo e ao super endividamento dos estados burgueses. De acordo com os índices oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o PIB caiu mais de 3% em 2015. Para este ano, a expectativa é de uma queda ainda maior. As pressões inflacionárias crescem sem parar. De acordo com as estatísticas oficiais, a inflação fechou, no ano passado, acima dos 10%, e a perspectiva é que piore neste ano. A principal meta imposta sobre o Brasil, pelo imperialismo, o chamado superávit primário (recursos destinado ao pagamento dos juros da dívida pública), está implodida por um déficit primário, imposto pelo governo golpista de Temer, de R$ 170 bilhões, quase o dobro previsto pelo governo da presidente Dilma. Considerando os chamados “esqueletos fiscais”, o déficit pode superar os R$ 500 bilhões.
10. Mais de 530 mil vagas de emprego formais foram eliminadas somente no primeiro semestre deste ano. O desemprego (oficial) atingiu 12% ou em torno a 12 milhões de trabalhadores. A arrecadação fiscal caiu em R$ 60 bilhões com relação aos valores nominais de 2013, descontando a inflação. 
11. O Governo anunciou sua intenção de cobrir o morto com novas privatizações (petróleo – já foram vendidas as reservas mais promissoras, como as de Carcará – eletricidade, bancos públicos e sistema previdenciário). A perspectiva de um default, anunciada pelo aumento do “Risco Brasil”, pelas agências de classificação internacionais, está muito longe de ter sido descartada. Existe uma forte disputa entre capitalistas chineses e norte-americanos pelas privatizações, para iniciar novas garantias e isenções fiscais, sem falar da completa abertura dos setores econômicos, até agora reservados para o capital nacional. 
12. Devido às políticas aplicadas pelo governo com o objetivo de sustentar os lucros dos capitalistas, principalmente o dos monopólios, a dívida pública (oficial) disparou para aproximadamente 70% do PIB e continua aumentando de maneira muito acelerada. Os grandes bancos, principalmente os internacionais, os chamados “primary dealers” (ou “negociadores primários”), continuam extraindo suculentos lucros com taxas de juros muito superiores à oficial. Não por acaso, os juros brasileiros são os mais altos do mundo. As três principais agências qualificadoras de riscos, que são controladas pelos monopólios, colocaram o Brasil no status lixo, o que implica na disparada das dificuldades para o governo captar recursos e fechar as contas. O endividamento público e privado, de conjunto, supera os 150 % do PIB. A inadimplência cresce sem parar.
13. A dívida pública interna supera os R$ 4 trilhões, apesar das maquiagens oficiais. A dívida externa acumulou mais de US$ 335 bilhões somente entre 2010 e 2015, justamente, por causa dos gigantescos déficits das chamadas contas correntes, provocados pelo aumento da espoliação imposta pelos monopólios e pelo crescente processo de desindustrialização ocasionado no direcionamento do Brasil à produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. O volume total da dívida externa supera os US$ 545,4 bilhões (dezembro de 2015).
14. Os chamados IEDS (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são bastante especulativos (principalmente nas bolsas e na compra de títulos das grandes empresas) somam mais de US$ 1 trilhão. Os investimentos estrangeiros mais “voláteis” (os chamados “capitais andorinhas”) somam mais de US$ 700 bilhões. O passivo externo bruto é de mais de US$ 2,2 trilhões, representando o dobro da dívida pública interna, que é controlada pelos grandes especuladores internacionais. As chamadas reservas soberanas, que somam mais de US$ 356 bilhões, além dos investimentos brasileiros no exterior, que somam US$ 400 bilhões, tendem a desagregar-se conforme a pressão dos monopólios aumenta sobre o Brasil e essa moeda podre, chamada dólar, tende a implodir.
15. A máquina de “imprimir” dólares está funcionando a todo vapor, sustentando o crescente déficit público norte-americano e os repasses de dinheiro público aos monopólios. Mas a crise do esquema não está longe. Os petrodólares (venda de petróleo em dólares) estão combalidos, principalmente, a partir da crise dos preços do petróleo e do aumento das contradições entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. O aprofundamento da crise econômica tem levado os grandes capitalistas a fortalecerem a extrema direita em escala mundial. Mas esta carta ainda não tem sido usada de maneira intensa e prioritária. Ainda há um certo espaço para as frentes populares, ao estilo do governo do PT. As frentes únicas, ao estilo do governo de Maurício Macri, na Argentina, representam a política atual colocada para a América Latina, imposta pela Administração Obama, e “seus amigos, mas tratam-se de governos de crise, muito mais fracos que os governos que impuseram as políticas neoliberais nas décadas de 1980 e 1990. Os governos encabeçados por Macri, por Peña Nieto (México), por Michel Temer se encontram semiparalisados. Os governos de Juan Manuel Santos (Colômbia) e de Michel Bachelet (Chile) enfrentam crescentes crises.
16. No ano passado, o déficit nas contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e tudo o que sai do Brasil) foi de US$ 92 bilhões, dos quais apenas US$ 66 bilhões foi fechado com os chamados IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são muito especulativos. O restante foi fechado com capitais ainda mais especulativos, os chamados “capitais andorinha”.

 

neoliberalism
17. O Brasil continua, neste momento, na linha de frente da crise capitalista internacional e essa situação irá se agravar com o aprofundamento da crise capitalista mundial. O pagamento dos serviços dacorrupta dívida pública brasileira, por exemplo, mostra que é insustentável manter a política entreguista atual, que já consome mais de 44% do Orçamento Público Federal, de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) enviada para aprovação ao Congresso.
18. As altas taxas de juros brasileiras representam um caso único no mundo, ou o único lugar onde ainda há “perú com farofa”, como a direita brasileira gosta de dizer parafraseando o ex-ministro da Fazenda da ditadura militar, Delfim Neto. Um fardo tão grande, que, junto com os impostos, inviabilizam qualquer possibilidade de desenvolvimento do Brasil. Nos principais países, foram adotadas taxas de juros negativas, ou seja os monopólios são remunerados por obterem empréstimos, que são aplicados fundamentalmente na especulação financeira, tal o alto grau de parasitismo. O endividamento se generalizou alcançando níveis estratosféricos em escala mundial, enquanto a economia produtiva entrou em recessão. Hoje, somente os ultra nefastos derivativos financeiros movimentam, segundo a imprensa especializada, nada menos que US$ 700 trilhões, ou dez vezes o PIB mundial, mas, muito provavelmente, o volume seja muito maior.
19. Conforme aumentaram os sinais de esgotamento do governo Dilma, os especuladores financeiros têm manobrado e provocado a valorização do real e das bolsas. Os monopólios pressionam para que o ajuste contra os trabalhadores seja aplicado da maneira mais integral possível, com a reforma trabalhista (reduzindo sensivelmente as condições de vida dos trabalhadores), a reforma da Previdência (com ataques mais profundos contra os aposentados), os cortes nos gastos públicos (com o objetivo de garantir os repasses para os banqueiros), maiores entrega dos recursos naturais etc. A direita tem maior poder de fogo para aplicar essas medidas, que o governo do PT, mas a direita precisa do apoio, direto ou indireto, da cúpula do PT para poder aplicar o ajuste. A aceleração dos ataques contra os trabalhadores para salvar os lucros dos monopólios está por trás do golpe parlamentar, encabeçado por Michel Temer, contra o governo da presidente Dilma. Mas este governo, que é muito fraco para impor o ajuste. Por esse motivo, o imperialismo aumenta o aperto se valendo de mecanismos como a Operação Lava-Jato. Desta maneira, busca varrer do cenário político os setores de centro do regime.
20. O programa econômico apresentado pela cúpula do PT, sobre uma suposta retomada do desenvolvimento, não passa de pura demagogia. O que está colocado em cima dos acordos que estão em andamento não é mais investimentos produtivos, mas um maior aperto contra a população para manter o parasitismo financeiro. É preciso não esquecer que a última tentativa relativamente “séria”, e recente, de aplicar uma certa “política desenvolvimentista” foi feita por François Hollande, na França. Essa política fracassou estrepitosamente e o próprio Hollande se transformou num dos paladinos dos ajuste, dos chamados “planos de austeridade”, contra os trabalhadores.
21. No próximo período, esses mecanismos especulativos deverão implodir no Brasil e, de manter-se as amarrações impostas pelo imperialismo, restarão duas opções, a moratória ou a hiperinflação. A nova onda neoliberal que o imperialismo tenta impor contra os trabalhadores colocam em xeque as condições de vida dos trabalhadores. De acordo com o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, não há nada mais revolucionário que a inflação. Por esse motivo, o imperialismo tenta aplicar um brutal ajuste contra a população, para controlar a crise, sobre o sangue dos trabalhadores. O inevitável efeito colateral são os também inevitáveis protestos sociais.
22. Para o próximo período, está colocado o inevitável aprofundamento da crise capitalista e, em cima desta base, a entrada em movimento, novamente, da classe operária, no Brasil e no mundo. Será a retomada, numa escala ainda superior, do movimento grevista da década de 1980, que, no Brasil, atingiu o pico com a formação da CUT, em 1983, e as 15 mil greves de 1985, mas que foi sufocado com as políticas neoliberais. O novo período de ascensão operária colocará, também de maneira inevitável, à ordem do dia, a criação de um partido operário, revolucionário e de massas, independente de todos os setores da burguesia e de todos os partidos integrados ao regime burguês. Isso não tem nada a ver com a “eleição de deputados”, que é a principal pauta, na prática, de boa parte da esquerda pequeno burguesa, e muito menos com a eleição de Lula em 2018 ou a defesa das capitulações do PT. Esses agrupamentos deverão ser varridos do mapa pela nova ascensão das massas e uma nova esquerda revolucionária deverá ser formada. Rachas no PT, e até nos demais partidos, deverão ser colocados à ordem do dia, separando as alas direita dos elementos revolucionários que deverão se fortalecer conforme a ascensão dos trabalhadores acontecer. A história mundial está cheia de exemplos neste sentido. A análise profunda da história e das revoluções tornou-se uma tarefa fundamental para compreender a realidade atual.
23. Hoje, as grandes empresas somente conseguem funcionar assaltando os cofres públicas. Como o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, o caracterizou no livro “Imperialismo fase superior do capitalismo”, umas das principais caraterísticas do capitalismo na etapa atual e final, o imperialismo, é capitalismo de Estado. Ao mesmo tempo, Já seria a sementinha prantada do socialismo. Para os monopólios continuar acumulando lucros é preciso pegar dinheiro do estado para especular no sistema financeiro, essa especulação junto a supre produção foi um dos principais motivos do colapso capitalista em 2008. A lei de lucratividade de Marx, diz que quando o capitalista está em ascenso a taxa de lucro cai mais que a ambição do capitalista, que tem seu lucro só da foça do trabalho. Ou seja, explorando o operário, ao vender seus títulos, comprando mais máquinas, mais tecnologia, com o intuito de baratear a mão de obra, que é o seu lucro, leva à supre produção e os lucros votam a cair, e com a tentativa de cada dia mais rebaixar o valor do trabalho, gera o descontentamento do trabalhador o qual deve lutar para recuperar seus direitos.