
Brasil, China e outros 30 países fundadores da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO) assinaram um acordo que pretende superar a exclusão digital no mundo e incentivar inteligências artificiais (IAs) de código aberto. A sede da WAICO será em Xangai.
No lançamento da WAICO estiveram presentes a Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics), o presidente da China, Xi Jinping, e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
Xi Jimping defendeu uma ajuda aos países do Sul Global para a superação da exclusão digital e o incentivo ao código aberto e ao compartilhamento. “O desenvolvimento da IA não deve ser ação de um único país, mas uma sinfonia global”, disse Xi Jimping, segundo reportagem do UOL, numa indireta aos Estados Unidos.
IA de código aberto
Nos últimos meses, IAs chineses de código aberto, como o DeepSeek e Owen, vêm alcançando o desempenho de IAs em código fechado da OpenAI, Anthropic e outras. No anúncio da Organização mundial de inteligência artificial, uma startup chinesa lançou a nova versão da Kimi, que superou os modelos norte-americanos.
O governo chinês acredita que a IA de código aberto deve ser um patrimônio da humanidade e um dos objetivos da China é aprimorar suas capacidades em IA dos países do Sul Global.
Prefeitura do Rio já usa IA chinesa e soberania
A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou um modelo com desempenho de ponta, o Rio 3.5 Open 397B, baseado no Qwen, no mesmo dia em que o governo norte-americano vetou o acesso internacional a um novo modelo da Anthropic. Dias depois, os EUA voltaram atrás na decisão.
Empresas indianas, europeias e americanas, como a Airbnb, vêm abraçando o código aberto chinês, que permite baixar, adaptar e usar IA sem transferir dados ao modelo original, mantendo soberania.
Modelos dos EUA e chip chinês
Na contramão do código aberto, as empresas norte-americanas de IA avançam sobre a soberania dos países usando funcionários próprios, como a Anthropic, e até estatização parcial com exigência de tranferência de ações aos governo dos EUA, como é o caso da OpenAI.
A China também está investimento em treinamento para o uso de IAs e fabricação de chips para concorrer a norte-americana Nvidia.
No Ceará, a chinesa Bytedance está construindo um datacenter que, pela localização, poderá acessar cabos submarinos para Ásia e África em passar por EUA e Europa. Os EUA estão atentos ao movimento chinês e já tentam negociar com o Brasil, principalmente após os ataques aos datacenters no Oriente Médio.



