
Antes do período eleitoral, havia uma suspeita de que as Big Techs poderiam interferir nas eleições brasileiras. Chegando ao final das propagandas de 1º turno, a suspeita se confirmou. Não estamos falando de casos em que as Big Techs agiram derrubando perfis e publicações a mando da Justiça Eleitoral, mas de situações em que não havia qualquer decisão judicial embasando suas ações, portanto, uma deliberação política.
O caso mais recente e emblemático diz respeito ao vídeo publicado no perfil de Instagram Revelando (@revelando.brasil), com informações relacionando candidatos, a Igreja da Lagoinha (igreja evangélica de Belo Horizonte), o banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. O humorista Fábio Porchat explicou os fatos de maneira didática e bem-humorada. O vídeo rapidamente se espalhou, chegando a atingir seis milhões de visualizações.
O vídeo, portanto, tinha potencial para atingir candidaturas centrais da extrema-direita brasileira.
Foi quando a Meta entrou em campo, derrubando a publicação, interferindo diretamente nas eleições brasileiras.
Sem que houvesse qualquer ordem judicial ou justificativa, a Meta — dona de Instagram, Facebook e WhatsApp — derrubou o perfil. Depois de muitas reclamações, o perfil foi reestabelecido, mas o alcance foi reduzido. Ainda assim, o @revelando.brasil já tem mais de 1,6 milhão de seguidores e diversos vídeos viralizados. Atualmente, o vídeo de Porchat chegou a cerca de dez milhões de visualizações.
A Meta tem mais de 100 milhões de brasileiros em suas redes (Facebook, Instagram e WhatsApp).
Alcance restrito para candidato e liberado para fakes
A conta do presidente do Brasil e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no facebook chegou a ser desabilitada, além de sofrer restrição de divulgação de anúncios. O caso ocorreu no último dia 23/09, e, nas palavras do advogado “se deu de forma unilateral, imotivada e desamparada de qualquer justificativa objetiva”. E completou: “No escopo das eleições, sobretudo ao considerar que restam menos de 11 dias para o primeiro turno das eleições gerais, a desativação, bloqueio ou limitação unilateral de contas, perfis e canais de comunicação de candidatas, candidatos, partidos políticos, coligações ou cidadãos em período pré-eleitoral ou eleitoral ganha contornos de extrema gravidade sob a ótica do Direito Eleitoral”.
A perseguição, no entanto, não diz respeito apenas ao período eleitoral. Em 2025, o PT acusou a Meta de esconder o perfil de Lula no Instagram.
A empresa alegou problema técnico. Outros políticos de esquerda, porém, fizeram a mesma reclamação de silenciamento. A própria Meta admitiu o “erro”. Em nota, a empresa disse que a falha afetou “a capacidade das pessoas de buscar contas no Instagram” e pediu desculpas “por qualquer inconveniente que isso possa ter causado”.
Chama atenção que enquanto registra páginas e perfis com viés de “esquerda”, a Meta libera as fake News. A Ekõ, organização britânica de responsabilização corporativa, fez um teste publicando 15 anúncios com conteúdo político falso e imagens de IA sobre eleições no Brasil em redes da Meta. Dos 15, 13 foram aprovados.
A relação das Big Techs com a extrema-direita não é algo que é visível a olhos nus. Uma publicação da Agência Brasil reforçou que logo após Donald Trump assumir a Casa Branca, em janeiro de 2025, o dono da Meta, o empresário Mark Zuckerberg, foi às redes sociais anunciar o alinhamento da companhia com o novo governo em Washington: “Vamos trabalhar com o presidente Trump para pressionar os governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas”, afirmou.
As tentativas de ingerência das Big Techs em nosso País devem ser vistas com muita atenção e preocupação pela população brasileira e reforça a necessidade de lutarmos pela nossa soberania digital!



