CAPACITAÇÃO PRECÁRIA PARA OS TRABALHADORES E CURSO ONEROSO, SOB SUSPEITA, PARA DIRETORES

O Ministério Público de Minas Gerais investiga a contratação, sem licitação, de duas vagas em um curso executivo da Fundação Dom Cabral pela PRODEMGE, ao custo de R$ 232 mil.
O curso, com duração de 45 dias, é voltado à alta gestão e será realizado no Brasil e nos Estados Unidos, beneficiando apenas dois diretores da Empresa: o diretor presidente, Roberto Tostes Reis, e o diretor de Operações e Infraestrutura, Cássio Matoso, ambos ocupantes de cargos comissionados de recrutamento amplo.
O valor pago cobre apenas as inscrições, sem despesas adicionais como viagem e hospedagem.
A denúncia aponta que, enquanto a Empresa afirma investir em capacitação ampla, esse único curso consome mais de 15% do orçamento total destinado à formação em 2025.
O caso gera questionamentos, especialmente por se tratar de um investimento elevado, direcionado a poucos gestores e realizado em ano eleitoral, com possível troca de governo — o que pode limitar o retorno efetivo desse investimento para a Empresa.
O SINDADOS/MG denuncia que os trabalhadores enfrentam uma política de capacitação restritiva e superficial.

Relatos recebidos pelo Sindicato são contundentes:
“Falam pra gente ver tutorial na internet ou fazer EADs fracos da intranet.”
“Estou querendo um curso de JQuery e eles estão negando.”

Ao mesmo tempo em que nega cursos técnicos relevantes ou limita a poucos, a PRODEMGE tenta apresentar como “capacitação” workshops rápidos, muitas vezes gratuitos e com forte caráter de marketing, como treinamentos de poucas horas sem profundidade técnica.
Essa prática contradiz os próprios normativos da PRODEMGE, que preveem capacitação estruturada, baseada em necessidades reais e com desenvolvimento efetivo de competências.
Vale lembrar que o Sindicato apresentou, por ocasião da negociação da pauta do Acordo Coletivo de Trabalho 2024/ 2026, a proposta de reembolso de custos com formação, sem regras excludentes.
A proposta foi rejeitada pela Empresa, que optou por um modelo próprio claramente inferior e restritivo.
O que está em curso é uma escolha evidente: limitar o acesso à formação de qualidade e substituir por ações superficiais, de baixo impacto, enquanto beneficia a poucos escolhidos.
Capacitação não é favor — é direito.
E transparência é o mínimo que a empresa deve ter!
Seguiremos na luta em defesa da qualificação e valorização dos trabalhadores da PRODEMGE.