
Todos os anos a rotina da negociação é a mesma: aprovamos a pauta em assembleia, encaminhamos as reivindicações aprovadas ao SINDINFOR (sindicato patronal), iniciamos a negociação em setembro, encerramos em novembro (normalmente) com aprovação da CCT em assembleia, assinamos a CCT, abrimos o prazo para oposição através de link que disponibilizamos, encaminhamos a CCT assinada para homologação no MTE e recebemos de volta a CCT homologada. Este ano esta história se repetiu e a CCT acabou de ser homologada pelo MTE.
A rotina de uma campanha salarial faz parte da vida do sindicato e deveria fazer parte da vida dos trabalhadores, porém observamos uma desatenção grande dos trabalhadores com esta rotina.
A grande manifestação da categoria acontece na hora de acessar o link para enviar a oposição à taxa de fortalecimento sindical e, esta prática, que também é rotineira, se dá predominantemente pela “influência” patronal, que sistematicamente estimula o envio da oposição. Os e-mails e contatos telefônicos que recebemos nos dão esta convicção.
Não existe uma reflexão sobre o quanto é difícil negociar com quem entende a sua maior fonte de receita, garantia de sucesso, que são os trabalhadores, como custo, quando deveria ser investimento; com quem chega em mesa para negar ao invés de refletir e atender.
Enquanto todos nós fazemos a riqueza dos patrões de TI que nos emprega e nos explora, salvo raríssimas exceções, este mesmo patrão, que todo ano troca de carro, que mora numa casa e lugar “legais”, que viaja pelo Brasil e exterior, que por vezes já mora no exterior, que pode oferecer uma “vida legal” para os seus, chega na negociação oferecendo zero ou só a inflação do período e negando a maioria dos pedidos que fazemos para melhorar minimamente nossa condição e qualidade de vida.
Muitos trabalhadores até hoje não sabem que aqui em MG o desconto é uma única parcela de 2%, diferente de outros estados que cobram um percentual alto e o dividem em 12 vezes, exercendo, na prática, uma adesão compulsória do trabalhador ao sindicato.
Alguns trabalhadores têm a capacidade de enviar recibos falsos ou antigos e dizem ter feito a oposição, mas esses casos são raros.
Muitos não sabem que nossa CCT é considerada, pelos sindicatos e trabalhadores de outros estados, a melhor, se analisada de um modo geral, não cláusula a cláusula.
A negativa de pagar a taxa de fortalecimento é grande, e o pedido de apoio, de ajuda, também. É como se manter a estrutura que mantemos para dar suporte à categoria fosse sem nenhum custo. Vez por outra são chamados para receber valores ganhos pelo Sindicato na justiça, em ação que moveu contra a empresa a partir de denúncia recebida, cujos processos sempre divulgamos em nossos boletins, mas sequer esta informação é lida.
É sempre tempo de mudar. De ver o Sindicato de forma diferente. De entender o Sindicato como um porto seguro dos trabalhadores, que existe para proteger, para fazer avançar as conquistas, mesmo que seja de pouco em pouco.
Dizemos NÃO ao reajuste zero. Reivindicamos sempre o ganho real. Defendemos a categoria. A categoria, todavia, precisa se defender mais dos abusos patronais denunciando-os ao Sindicato. A união sindicato e empregados potencializa nossa perspectiva de melhorar nossa qualidade de vida e de trabalho. Seja sócio do SINDADOS/MG.



