
É comum vermos organizações realizando cortes de gastos que, na frieza da planilha, parecem eficazes, mas, na prática, mutilam a operação. Os trabalhadores, por exemplo, são membros das organizações. Cada um faz falta de maneiras difíceis de prever; demitir sem critério pode criar dificuldades para a própria organização, entre elas, a sobrecarga de trabalho para os que ficam e que podem adoecer em consequência desta sobrecarga.
Vale destacar que cada trabalhador carrega consigo a capacidade técnica, a cultura organizacional e a experiência pessoal. Enquanto a capacidade técnica pode ser recontratada no mercado, a cultura organizacional depende de anos de casa e a experiência pessoal, uma vez perdida, se vai para sempre. Mas então, o que cortar?
Assim como no corpo humano, onde a perda de peso saudável exige estratégia como dieta e exercícios, os gestores não podem ser preguiçosos. É preciso elaborar planos inteligentes. Um ponto crucial é observar a terceirização, que muitas vezes é a verdadeira “gordura trabalhista”. Explicamos: enquanto o contratado direto é o “músculo” que trabalha 100% para a organização, o terceirizado depende de uma empresa intermediária. É necessário pagar os custos e o lucro dessa terceira empresa, além da hora do trabalhador. Logo, em muitos casos o terceirizado custa mais caro sem que esse valor chegue ao bolso de quem produz.
Na esfera pública, o cenário permite desconfiança imediata da necessidade das terceirizações. No Jusbrasil, por exemplo, plataforma que agrega a jurisprudência brasileira, existem milhares de registros de processos judiciais que revelam um cenário sistêmico de fraudes em licitações, conluios e manipulação de preços, além da frequente precarização e calotes trabalhistas por empresas que desaparecem sem honrar compromissos. Existem ainda as “quarteirizações” e “quinteirizações”: esquemas de empresas que terceirizam o próprio serviço, gerando uma ineficiência injustificável.
Do lado de quem trabalha, a terceirização é cruel. O trabalhador enfrenta tratamentos e direitos distintos, muitas vezes inferiores aos dos colegas, mesmo desempenhando a mesma função. Se é ruim para o trabalhador e ineficiente para a empresa, essa prática deveria ser restrita a exceções técnicas. A Reforma Trabalhista, ao permitir a terceirização da atividade-fim, deu um “tiro” na eficiência das empresas brasileiras.
Para terceirizar tem de haver critério. Somos contra a terceirização de atividades fim das empresas. Somos contra a terceirização sem limites.



