
O domínio tecnológico e a soberania de um povo andam de mãos dadas há séculos. A Inglaterra do século XIX foi a nação mais avançada do mundo ao seu tempo, graças aos avanços obtidos pela 1ª Revolução Industrial. Esta vantagem tecnológica foi usada para impor à China o comércio de ópio, episódio que deu início ao que os chineses chamam de ‘Século das Humilhações’.
A China da época não dependia dos produtos ingleses, os ingleses por outro lado, dependiam de produtos chineses como o chá, seda e porcelana, pagando por eles com prata. Para reverter esse déficit comercial e transformar a China em um mercado consumidor forçado, a solução inglesa foi traduzir a tecnologia da 1ª Revolução Industrial em navios de ferro movidos a vapor, canhões de longo alcance, melhor comunicação e capacidade logística superior, usando-os para impor à Dinastia Qing a abertura de portos e a venda do ópio produzido na Índia.
Naquele momento histórico, o interesse inglês nunca foi destruir a China ou exterminar seu povo. O objetivo era subjugar a soberania chinesa ao provocar transtornos sociais profundos para garantir que os lucros britânicos prevalecessem.
Essa lição histórica explica grande parte dos vultosos investimentos militares e em tecnologia da informação que a China do século XXI realiza para nunca mais ser refém de uma potência externa.
No Brasil do século XXI, a falta de domínio do ciclo completo da tecnologia da informação tem se traduzido em redes sociais que causam grandes transtornos à nossa sociedade e que também estão sendo usadas para submeter a soberania brasileira, seja ao interferir em nosso processo eleitoral, seja ao controlar e manter dados governamentais brasileiros fora do território nacional.
Para que o povo e as futuras gerações de brasileiros não sejam vítimas de um novo ‘período de humilhações’, que pode muito bem durar mais de um século, precisamos conquistar nossa soberania digital já.



