ESTRANGEIROS COMPRARAM 40% DA COPASA E CONTROLADORES ESTÃO R$ 2 BILHÕES MAIS RICOS EM UMA SEMANA

Após oito dias da finalização do processo de privatização da Copasa, as ações da Empresa, que foram vendidas a R$ 49,03, estão valendo R$ 59,03 (cotação de 24/06) na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), ou seja, 20% mais. Com isso, os novos controladores (Equatorial Energia e Perfin) já ganharam quase R$ 2 bilhões sem fazer nada.
Os novos controladores gastaram R$ 8,38 bilhões para comprar as ações do governo de Minas Gerais e, hoje, elas já valem R$ 10,1 bilhões.
Vale lembrar que o valor definido pelo governo Mateus Simões (PSD), sucessor de Romeu Zema (Partido Novo), para a ação da Copasa na privatização foi de R$ 47,23, bem abaixo dos R$ 56,19 cotados, no dia do leilão, na Bolsa.
De saída, os controladores já tiveram um ganho de 15% sobre o valor de mercado da Copasa. Com a alta da ação CSMG3 (código da ação da Copasa na B3) durante a semana, o ganho se ampliou para 20%.

40% para estrangeiros

Diferentemente de outras privatizações, a venda da Copasa foi realizada após negociação, isto é, não houve uma disputa aberta, com ofertas em envelope fechado. Também não houve venda do controle total da Empresa, com os famosos 50% mais uma das ações com direito a voto.
Por conta disso, o controle se dará por maioria das ações. No caso, a Equatorial comprou 30% do controle diretamente do governo estadual e a Perfin comprou os outros 15%, já que o governo estadual permaneceu com 5%. Na Bolsa, a Perfin comprou outros 5%, ficando com um total de 20%.
Também no mercado em que estavam os outros 50% fora do controle do estado de Minas Gerais, estrangeiros compraram 40% das ações com direito a voto. Os papéis estão pulverizados entre vários donos, o que dificulta uma ação unificada e coordenada. Entretanto, em tese, nada impede que assumam o controle se fizerem acordo com outros acionistas.
Esse caso da venda da Copasa é um exemplo cabal de que os processos de privatização servem, prioritariamente, como mecanismos de transferência de patrimônio para o enriquecimento de grandes empresários. O salto imediato de 20% no valor das ações na B3 desmascara completamente a falácia do “prejuízo” ou da “ineficiência”, argumentos que são constantemente atribuídos às empresas públicas. Afinal, se a companhia fosse de fato um fardo deficitário, o mercado financeiro não estaria disposto a valorizá-la de forma tão veloz.