
A enfermeira Morgana Vieira Monteiro, 45 anos, estava em casa quando foi surpreendida pelo ex-marido, Lelito Tavares Barbosa, que pulou o muro de sua casa com um revólver. Ela ainda tentou se esconder no banheiro, mas Lelito a alcançou e a matou. Mesmo com medida protetiva contra o ex-marido, e de contar com acompanhamento da equipe Maria da Penha da Polícia Militar de Tocantins, ela não teve tempo para pedir socorro.
Mulheres que contavam com medidas protetivas foram 13,1% das vítimas de feminicídio.
Em 2025, o estado de Tocantins registrou um aumento de 52,8% dos feminicídios em relação a 2024. O mesmo é observado em todo o Brasil, que registrou um crescimento exponencial dos feminicídios.
Foram 1568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4,7% se comparado a 2024, segundo o Forum Brasileiro de Segurança Pública. Desde que a lei do feminicídio passou a valer em 2015, os feminicídios saltaram de 449 (2015) para 1568 (2025). Em números absolutos, Minas Gerais ocupa o segundo lugar em feminicídios com 177 casos em 2025, perdendo apenas para São Paulo, com 270 casos.
Feminicídio é, segundo o Código Penal, um homicídio qualificado, isto é, um crime praticado pela condição de sexo feminino que envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. O feminicídio decorrente da desigualdade estrutural de poder que inferioriza e subordina as mulheres aos homens. Caracterizam-se por serem mortes evitáveis.
Companheiros são os algozes; negras, as maiores vítimas
Diferentemente do caso da enfermeira Morgana do Tocantins, o maior número de casos de feminicídio (59,4%) são praticados por atuais companheiros das vítimas. Ex-companheiros (21,3%) ocupam o segundo lugar, seguidos de outros familiares (10,2%) e desconhecidos (4,9%).
Mulheres negras são 62,6% das vítimas, brancas são 36,8% e indígenas e amarelas 0,3%. As maiores vítimas por faixa etária são mulheres entre 30 e 39 anos (28,3%), 40 e 49 anos (21,7%) e 18 e 24 anos (15,5%).
Sindicatos contra o feminicídio
Em 13 de maio de 2026, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou a Campanha Permanente de Combate ao Feminicídio. A iniciativa busca capacitar lideranças populares e sindicatos para reconhecer desigualdades, discriminações e sinais de violência nos locais de trabalho por meio do letramento de gênero.
Além disso, a Campanha visa transformar ambientes de trabalho e sindicatos em locais seguros com redes de apoio e protocolos permanentes para salvar vidas.



