
Um estudo realizado pela empresa de cibersegurança Vultus Cybersecurity Ecosystem, lançou luz sobre uma realidade inegável e preocupante no Brasil: a fragilidade da cibersegurança na maioria das empresas, inclusive muitas no setor de TI.
Segundo o estudo, 67% das empresas não possuem processos de proteção digital, enquanto 55% nunca implementaram monitoramento contínuo de ameaças.
Outro dado alarmante apontado pelo levantamento mostra que 80% das organizações não têm um plano completo para responder a ataques cibernéticos.
Tais dados revelam a alta vulnerabilidade que as empresas brasileiras estão expostas, sujeitas a invasões e vazamentos de dados.
Uma justifica constante apresentada pelas empresas seria o alto custo que tais medidas de segurança trariam. Contudo, é fundamental desmistificar a ideia de que a proteção digital eficaz depende apenas de soluções complexas e extremamente onerosas, como Red Team Assessments (RTA) ou Pentests.
Na verdade, práticas básicas e bem executadas podem elevar significativamente o nível de segurança de uma organização, muitas vezes com um investimento inicial mínimo.
Para as empresas, especialmente as de TI, que buscam fortalecer suas defesas, focar no “bê-á-bá” da segurança é um excelente ponto de partida.
São ações que, quando implementadas consistentemente, reduzem drasticamente os riscos e criam uma base sólida para futuras camadas de proteção:
Priorize a Contratação de Colaboradores CLT/Efetivos:
A força de trabalho é um dos elos mais importantes na cadeia de segurança.
Ter trabalhadores de carreira ou em regime CLT em vez de uma dependência excessiva de terceirizados ou PJ (Pessoa Jurídica) pode ser uma estratégia poderosa.
Isso diminui os pontos de vazamento de informação ao reduzir a rotatividade e o número de pessoas com acesso temporário e menos conhecido circulando na empresa.
Essa estabilidade no quadro de funcionários também reduz as chances de ataques de engenharia social, pois a equipe se torna mais coesa e menos propensa a ser manipulada por estranhos ou por quem tem menos vínculo com a organização.
Um exemplo notório do impacto negativo da terceirização excessiva na segurança da informação foi o vazamento massivo de músicas e filmes na internet no início dos anos 2000.
Muitos desses vazamentos ocorreram por meio de cópias ilegais feitas dentro das próprias produtoras e estúdios, por funcionários terceirizados ou contratados com menos vínculo, que tinham acesso a material confidencial e pouca ou nenhuma responsabilização de longo prazo.
Esse período mostrou, de forma contundente, como a falta de controle sobre o acesso e o vínculo dos colaboradores pode comprometer gravemente a propriedade intelectual.
Garanta Senhas Individuais e Fortes:
Parece óbvio, mas muitas empresas ainda negligenciam o básico.
É imprescindível garantir senhas individuais de acesso aos sistemas para cada colaborador.
Isso não só permite um controle preciso da informação, rastreando quem acessou o quê e quando, mas também responsabiliza cada indivíduo pelo uso de suas credenciais.
Elimine o compartilhamento de senhas, que é um convite aberto às vulnerabilidades.
Facilite a Gestão de Senhas e Recuperação:
A complexidade na troca ou recuperação de senhas é um inimigo da segurança.
Se for difícil ou desgastante para os trabalhadores trocarem suas senhas, a tendência é que as anotem em algum lugar de fácil acesso (um post-it no monitor, um arquivo de texto desprotegido etc.), quebrando completamente a segurança.
Invista em sistemas e processos que permitam que a equipe recupere senhas esquecidas de forma fácil e segura, incentivando a troca regular e a adesão às políticas de senhas fortes.
Ter uma pessoa adicional na equipe dedicada a auxiliar nesse processo de gestão e recuperação de senhas, em vez de depender exclusivamente de sistemas automatizados, pode reduzir significativamente o atrito e garantir que os colaboradores sigam as melhores práticas de segurança sem frustrações desnecessárias.
O exemplo do serviço público: eficácia comprovada ao longo dos anos
É importante destacar que muitas dessas práticas são praxe no serviço público e, ao longo dos anos, têm sido comprovadas como eficazes na proteção de informações sensíveis.
A cultura de estabilidade de pessoal, a rigidez no controle de acessos e a valorização de processos internos bem definidos são legados que, embora por vezes burocráticos, demonstram a importância dessas medidas básicas.
O serviço público, por sua natureza e pela criticidade das informações que gerencia, aprendeu, muitas vezes na prática, que a base da cibersegurança reside em controles internos rigorosos e na gestão consciente de pessoas e acessos.
Trazer essa mentalidade para o ambiente corporativo privado, adaptando-a à agilidade do mercado, é um passo fundamental para construir defesas digitais robustas, antes mesmo de se pensar em investimentos em tecnologias mais sofisticadas.
Essas práticas simples não são um custo, mas um investimento essencial que diminui a “superfície de ataque” de uma empresa, protegendo-a de grande parte das ameaças mais comuns e deixando-a mais preparada para enfrentar desafios maiores no futuro.



