RISCO PARA IMIGRANTES DE TI NOS EUA

Levados pela propaganda estadunidense, que vem através do soft power, principalmente do cinema, e pelo hard power do valor do dólar, muitos profissionais de T.I. têm se aventurado em ir para os EUA em busca de melhores condições de vida. Porém, na prática, a realidade tem se mostrado diferente, insegura, ainda mais agora, com o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de cassa aos imigrantes.
A maioria dos trabalhadores vão para os EUA usando o visto da categoria H, para trabalhadores estrangeiros, geralmente o visto H-1B. Esse visto é interessante, pois permite ao trabalhador estrangeiro levar seus familiares, contudo, isto pode virar uma armadilha, pois este visto só permite a residência nos EUA vinculado a um trabalho. Assim, se o trabalhador imigrante perde o emprego ele tem 60 dias para conseguir outro ou se retirar do País. Essa ameaça eminente de expulsão torna os trabalhadores imigrantes “reféns” dos seus patrões estrangeiros, pois o custo financeiro e emocional de fazer uma segunda migração com toda a família de volta para o Brasil é enorme, fazendo com que estes trabalhadores se sujeitem aos caprichos do patrão gringo.
Outro ponto importante é que, a pretexto de proteger os trabalhadores norte-americanos, existe uma regra, no caso de greves: os trabalhadores com visto H têm o seu contrato de trabalho suspenso enquanto durar a greve, independentemente de sua adesão à greve, ou seja, não recebem salários, o que os coloca, indiretamente, contra as lutas/movimentos dos trabalhadores.
Os trabalhadores de TI com vistos da categoria H, ou os da categoria EB (em geral EB-2) são elegíveis para solicitar o green card, todavia existe um número fixo de vistos pré-estabelecidos por ano, oferecidos a todos os trabalhadores estrangeiros, que são aprovados pelo presidente dos EUA. Com a pressão contra os imigrantes, os vistos permanentes, os chamados green card, caíram pela metade nos últimos anos, ainda no governo Biden, e tudo indica que vão cair ainda mais no governo Trump.
Por outro lado, impulsionado por uma série de propagandas duvidosas circulando na internet, há uma explosão de brasileiros, muitos deles ligados a TI, que estão buscando os vistos do tipo E. Para se ter uma ideia, o número de vistos emitidos da categoria E aumentou, em média, seis vezes, comparando 2017-2020 com 2021-2024. O resultado disso tem sido a redução das aprovações da solicitação do visto EB-2 NIW, que garante a permanência nos EUA, caindo de 70,50%, em 2023, para 60,65%, em 2024.
Com o aumento das negativas vem o aumento do desespero dos que buscam este caminho com vistas à prosperidade, levando muita gente a acreditar que pagar mais caro pode garantir o sucesso. Há quem pague mais de R$ 100 mil por auxílio jurídico, na tentativa de ficar nos EUA, e tem o seu processo negado.
Finalmente, o risco de o trabalhador imigrante sofrer nos EUA é grande, pois pelo fato de estar preso à condição de imigrante ele pode acabar perdendo todo o dólar acumulado ao ter de pagar advogado para tentar permanecer naquele País, num processo em que, cada vez mais, terá menos chances.