SERPRO: É PRECISO MANTER A UNIDADE DOS TRABALHADORES !

Numa assembleia nacional com uma quantidade de trabalhadores importante, a mais representativa da campanha salarial de 2025, ainda que aquém da nossa necessidade de mobilização, foi encaminhado, na última quarta-feira, dia 06/08, o indicativo do Comando de suspensão da greve.

Um encaminhamento difícil para quem o faz e confuso para quem o recebe, principalmente os que estavam dispostos a ir à luta por melhorias no Acordo Coletivo. Mas mais difícil ainda, porque não se tinha absolutamente nenhuma proposta a ser apreciada pelos trabalhadores.
O que ocorreu é que a percepção da representação dos trabalhadores na audiência de dissídio, ajuizado pela Empresa, no dia 05/08, foi de que a intenção do SERPRO era levar a campanha salarial para o julgamento do Tribunal.

Quando tomamos conhecimento de que a Empresa, em sua petição de dissídio, retirou inclusive o 1% de ganho real (lendo os documentos do TST postados hoje nos grupos), não tem como não concluir que a manobra que a empresa pretendia era abortar a greve com o pleito de determinação pelo Tribunal de 80% de contingência e ver o dissídio julgado, apresentando como proposta apenas a inflação do período.

Canalhice da direção da Empresa!

E tudo isto aconteceu no dia 05/08, tendo de ser analisado e processado pela coordenação de campanha e sua assessoria jurídica, com uma greve já aprovada e para começar no dia 06/08.

Percebendo a artimanha da Empresa para alcançar seu objetivo principal, de nos pagar menos do que apresentou na negociação direta, que vale salientar, chegou ao seu limite por imposição da Empresa, era preciso agir no sentido de tentar impedir que o SERPRO alcançasse o seu objetivo.

Assim, foi preciso ponderar na audiência do TST para não ver “o caldo entornado” e seria preciso ponderar junto aos trabalhadores, pois ir a julgamento seria o pior dos mundos para nós e iniciar uma greve com contingência de 80% (pedida pelo Serpro), se determinada pelo TST, normalmente sob pena de multa diária que é altíssima, seria o fracasso da greve. Lembrando que em nossa greve passada o ministro Godinho determinou contingência de 70%.

Neste sentido, a decisão de fazer greve foi boa, porque levou ao ajuizamento do dissídio pela Empresa e mostrou sua real intenção; e a audiência foi boa, porque também mostrou para o Ministério Público e Juízas representantes do ministro Godinho, que era o SERPRO quem estava intransigente no processo de negociação.

Nossas reivindicações, que nesta altura do campeonato já haviam se reduzido a reajuste de inflação do período mais 5% de aumento real para salários; inflação do período mais 20% de ganho real para tíquete; direitos iguais para todos os trabalhadores e 70/30 no plano de saúde foram reafirmadas nesta audiência e o TST fez “ouvido de mercador”.

Ministério Público e juízas que conduziam a audiência resumiram a proposta (que era da empresa e passou a ser também do TST) em: acordo bianual; inflação do período mais 1% para salários e tíquete e venda de licença prêmio (uma perfumaria). Permaneceu o 70/30 para o plano de saúde como polêmica da empresa e sem resposta, porém na pauta para debate.

A bola ainda está em campo. Os dissídios foram contestados pela FENADADOS (de natureza jurídica e de natureza econômica já que o SERPRO fez um combo para tentar nos detonar) e um pedido de mediação foi feito pela Federação ao TST, ainda sem manifestação do Tribunal até o momento que esta matéria foi fechada. O que resultará desta demanda não temos como prever. Ainda que o TST tenha feito “ouvido de mercador” em relação aos nossos pleitos, que eles sejam recolocados e que evolua a conversa.

E nós, trabalhadores do SERPRO, não podemos descartar a possibilidade de ir à greve novamente.

Entendendo o fim da greve como um recuo tático para não permitir ao Serpro alcançar o seu objetivo (reforçando: ver uma contingência de 80% ser acatada pelo Tribunal e nos pagar a inflação do período ou menos, pois os julgamentos do TST não têm concedido, predominantemente, sequer a inflação do período), precisamos nos manter unidos e organizados, até que ocorra o desfecho da campanha salarial.

menos, pois os julgamentos do TST não têm concedido, predominantemente, sequer a inflação do período), precisamos nos manter unidos e organizados, até que ocorra o desfecho da campanha salarial.