A FOME NO BRASIL

Os números alarmantes da fome no Brasil são o resultado do levantamento do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).
A luta, de 1990 a 2013, para tirar cerca de 30 milhões de brasileiros do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) – meta alcançada em 2013 – vemos regredir e a partir de 2018 o Brasil entra novamente no Mapa da Fome.
A incerteza de não ter o que comer afeta hoje 58,7% dos brasileiros em condição de insegurança alimentar em algum grau (leve, moderado ou grave). O quadro foi agravado pela pandemia de covid-19, especialmente nas áreas rurais no Norte e Nordeste do país. Nos grandes centros urbanos o número de pessoas em situação de rua mostra um pedaço do Mapa da Fome.
Dados do 1º inquérito, divulgados em abril de 2021, revelaram que cerca de 19 milhões de brasileiros não tinham o que comer em 2020, cerca de nove milhões a mais do que em 2018, quando essa parcela da população somava 10,3 milhões de pessoas.
Vivemos hoje o paradoxo de ver a divulgação de recordes de safra do agronegócio que, segundo o governo alardeia de forma orgulhosa, garante a segurança alimentar de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, enquanto 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer diariamente e 14 milhões de brasileiros estão em situação de fome.
O desmonte de políticas públicas e de incentivo ao pequeno agricultor teve início no governo de Michel Temer e foi continuada pelo atual governo, numa demonstração clara de que a fome é uma decisão política.