No último dia 20/08, foi realizada a primeira reunião de negociação entre a FEITTINF (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) e COBRA TECNOLOGIA. A FENADADOS (Federação Nacional dos Trabalhadores em Processamento de Dados) não se fez presente na reunião. Nós, do SINDADOS-MG, nos colocamos radicalmente contra a ausência da FENADADOS na mesa, pois trata-se da entidade de segundo grau, que representa a maioria dos trabalhadores a nível nacional. Na nossa visão, os representantes da Federação Nacional deveriam ter ido à reunião, se imposto, principalmente porque a sua representação é reconhecida pelo próprio Tribunal Superior do Trabalho (TST). Equivocadamente, não foi isto o que aconteceu.
A Federação divulgou uma nota em sua página explicando o porquê de não ter ido à reunião. Continuamos achando equivocada esta postura – o SINDADOS-MG, inclusive, registrou sua posição, por escrito, à Federação. Entendemos que a FENADADOS teria de se fazer presente na reunião e, caso a Empresa tentasse impor a presença da FEITTINF na mesa de negociação, deveria ter registrado sua posição em ata e, depois, tomaria as providências jurídicas.
A reunião com a outra Federação, entretanto, serviu para mostrar a intenção da Empresa. Ao ler a Ata, nos deparamos com a proposta ridícula de reajuste salarial de 25% do INPC e a contraproposta de retirada de uma série de direitos do Acordo Coletivo de Trabalho. Em nota, a COBRA fundamenta que estaria retirando estes direitos porque eles já estão previstos em lei e que a Empresa cumpre a lei.
Não é tão certo assim que a Empresa cumpre as leis. Só para lembrar dois casos, temos: os sindicatos cobrando, a nível nacional, a questão do assédio moral, por exemplo, e a CIPA, em Minas Gerais, que teve que enfrentar uma grande luta para ser eleita.
Outra coisa a ser ressaltada é que estamos vivendo um tempo de profundos retrocessos em relação aos direitos dos trabalhadores, oriundos da Reforma Trabalhista; a ameaça da Reforma da Previdência; a aprovação da MP 881, que aprofunda ainda mais a Reforma Trabalhista etc. Portanto, é correto analisarmos que é melhor ter os direitos registrados no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), pois a própria Reforma Trabalhista, que retirou mais de 100 direitos dos trabalhadores brasileiros, trouxe o princípio da prevalência do negociado sobre o legislado. Seguro morreu de velho: melhor ter os direitos garantidos no ACT do que concordar com a tese da Empresa, que afirma que muitos deles podem sair do ACT, já que estariam em lei e a Empresa cumpre a lei.
A grande verdade, na opinião do Sindicato, é que a direção da Empresa está tentando “enxugar” o Acordo Coletivo, aplicar um índice de reajuste que sequer repõe a inflação do período, porque está pouco se importando com os seus trabalhadores. O plano é privatizar a COBRA e uma das necessidades de compradores futuros é adquirir algo que custe mais barato e, reduzir direitos significa redução de custos, assim como demitir trabalhadores também é consequência nefasta e real de todo processo de privatização.
O que não falta são capitalistas de olho no que a COBRA TECNOLOGIA representa no mercado de Tecnologia da Informação (TI), à espreita para dar o bote neste negócio que certamente é lucrativo, porque nenhum empresário nacional ou internacional iria comprar o que não dá lucro.
Os tempos são difíceis para os trabalhadores e, por isto mesmo, nossa união é muito importante, tanto na discussão da campanha salarial, quanto em relação à ameaça de privatização já anunciada. Além de não querermos um Acordo Coletivo com perdas, queremos manter os direitos existentes e melhorar nossas conquistas. E dizemos NÃO À PRIVATIZAÇÃO.
Vamos aguardar desdobramentos da negociação coletiva. Qualquer novidade informaremos, através do boletim do Sindicato, geral ou específico.



