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Data-Base setembro: uma contraposição necessária na negociação da CCT

Aconteceu, no último dia 22/08, a primeira reunião de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2019/2021– data-base setembro.

Nesta reunião, os representantes dos trabalhadores fizeram sua defesa das reivindicações aprovadas pela assembleia da categoria e ouviram os argumentos patronais, que giraram em torno da afirmação que a pauta dos trabalhadores contrasta com o panorama jurídico nacional, onde o que prepondera é a “flexibilização” de direitos.

É fundamental que os trabalhadores fiquem atentos e mobilizados, pois diferente do que foi a reflexão em assembleia, sobre a necessidade de haver a valorização da categoria, principalmente financeira, a lógica patronal foi minimalista. O crescimento do setor de Tecnologia da Informação (TI), do qual os trabalhadores são testemunhas, nunca aparece na argumentação patronal na negociação coletiva.

Sabemos que o mercado de TI em Minas Gerais está em alta. De acordo com números do programa MG TI 2022, versão mineira do Programa TI Maior, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o setor movimentou R$ 2 bilhões, em 2012, com 20 mil postos de trabalho ocupados. A expectativa é que este número chegue a R$ 9 bilhões, em 2022. Contudo, mesmo diante de um panorama tão favorável, é sempre difícil negociar reajuste salarial na lógica de pensamento patronal, que sempre quer reduzir custos com funcionários.

Ainda na linha de constatar o prognóstico positivo do setor de TI, temos um estudo realizado pela International Data Corporation (IDC), que mostra que até 2022, a expectativa é de que a área seja responsável por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Minas Gerais é um dos mercados fortes neste segmento. Com aproximadamente cinco mil empresas instaladas no estado, cerca de 3,5 mil na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a expectativa é de que Minas seja um polo tecnológico.

Esta realidade que a categoria conhece tão bem, porque está inserida nela, remete à reflexão: por que, para os trabalhadores, os argumentos patronais vão no sentido contrário deste crescimento?

Segundo veiculado na imprensa, estudo divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostra que o mercado de TI pode apresentar déficit de 290 mil profissionais, em 2024, e que as instituições de ensino precisariam formar 70 mil alunos por ano para evitar “apagão técnico”. Esta, ao que parece, é uma preocupação patronal, considerando que o SINDINFOR noticiou em sua página a parceria com a FIEMG para formação e capacitação da força de trabalho do setor de tecnologia, com vistas ao desenvolvimento e competitividade das empresas de Tecnologia e Inovação de Minas Gerais.

Como pensar este desenvolvimento sem valorizar as pessoas, a inteligência das empresas? Esperamos que a negociação se desenvolva a contento, pois não é possível esconder dos profissionais de TI as informações que lhes dão a noção da discrepância entre o crescimento do setor e o que eles têm de direitos e de salários.