DE ONDE VEM AS QUESTÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA OS TRABALHADORES

Este é o primeiro artigo de uma série sobre a inteligência artificial que iremos divulgar em nossas mídias.
O objetivo deste e de outros textos é ampliar o horizonte sobre os diversos aspectos deste tema relativamente ao trabalho.
No prefácio da 3ª edição do livro “O que é inteligência artificial”, de João de Fernandes Teixeira, é feita uma indagação sobre aquilo que é um dos maiores medos do nosso tempo.
Ele diz: “Do ponto de vista filosófico e antropológico, a inteligência artificial continua sendo uma ameaça para o monopólio humano da inteligência.
O que aconteceria se um dia um dispositivo físico replicar a inteligência humana? Ou superá-la?”
Embora o medo parta do ser humano, para entender o desafio é importante entender de onde isso vem.
Se observamos, por um momento, os computadores do nosso tempo, o que e como eles são, veremos dispositivos que realizam tarefas.
Deste ponto de vista, olhando para a história rapidamente, percebemos que, de fato, dispositivos vêm superando certos aspectos da capacidade humana há muito tempo e como resultado disso, hoje as máquinas são essenciais para os atuais níveis de produtividade, sendo muito difícil, ou impossível, atingir tais níveis com uma produção exclusivamente humana ou animal.
As máquinas, em geral, fazem o trabalho em maior velocidade e melhor qualidade.
As habilidades de carregar, cortar, bordar, tecer e, mais geral, a habilidade fabricar já são feitas por máquinas de diversos tipos.
Portanto, a inteligência artificial é apenas mais uma dentre as inovações humanas que está superando as próprias habilidades do homem.

Este debate não é novo: no passado, por exemplo, foi a máquina de tear que gerou debate sobre qual seria o futuro dos tecelões.
Hoje temos a inteligência artificial provocando novos debates sobre o futuro de diversas profissões.
Sobre isso, Karl Marx, no capítulo 5 do seu livro “O Capital”, intitulado “Luta entre operário e máquina” disse:
“Quando Everet (um inventor inglês), em 1758, construiu a primeira máquina de tosar lã movida a água, 100 000 pessoas que tinham ficado sem trabalho deitaram-lhe fogo. 50 000 operários que tinham até essa altura vivido da cardagem de lã apresentaram uma petição ao Parlamento contra os scribbling mills (um tipo de moinho) e as máquinas de cardar de Arkwright (um empresário inglês).
A destruição em massa de máquinas nos distritos manufatureiros ingleses durante os primeiros 15 anos do século XIX, nomeadamente no seguimento da exploração do tear a vapor, sob a designação de movimento ludista (um movimento de trabalhadores ingleses do século XIX), foi o pretexto para as medidas violentas mais reacionárias do governo antijacobino de um Sidmouth, Castlereagh (estadistas ingleses), etc.
É preciso tempo e experiência para que o operário aprenda a distinguir a maquinaria da sua utilização capitalista e a dirigir os seus ataques não contra os próprios meios materiais de produção, mas contra a sua forma social de exploração”.
No caso da inteligência artificial também devemos ter uma postura assertiva.
Não adianta queimar computadores, ou proibir o uso da inteligência artificial, ou tentar impor restrições ao seu uso.
O caminho do debate deve ser o de colocar a inteligência artificial a serviço de todos, para que os seus benefícios sejam ampliados ao máximo possível, em vez de ficar nas mãos de uns poucos, que vão gerar mais pobreza e mais desigualdade, colocando esta nova tecnologia exclusivamente para atender fins privados.