Por Joel Vitor de Castilho*
A preocupação com o uso indevido de informações dos cidadãos, seu tratamento e guarda no Brasil, culminou com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD, Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 que entrou em vigor em setembro de 2020 e abrange meios físicos e digitais tratados por pessoa natural ou jurídica de direito público ou privado. A proteção dos dados pessoais está prevista na Constituição Federal do Brasil em seu art. 5º, inciso LXXIX, desde a promulgação da Emenda Constitucional nº 115, de 10 de fevereiro de 2022, juntando-se aos demais direitos e garantias fundamentais.
O envio sistemático de mensagens temerosas e postagens de links que direcionam à obscuras fontes, tornara-se um assédio constante. Tudo isso, dentro do aconchego dos nossos lares durante o teletrabalho.
Oferece-se de tudo. Desde uma futura e surreal viagem a Marte seguida de uma oferta de empréstimos – “Não se martirize, você pode!”, aos investimentos que prometem retornos financeiros mirabolantes.
As tentativas de acessos não permitidos a dados sigilosos pessoais e corporativos tiveram uma escalada exponencial. Era presumível o perfil de cada usuário e seu nível de desinformação no inesperado condicionamento virtual.
Diante do atual cenário de empregabilidade no setor de tecnologia da informação e comunicação, que se afigura como um mercado desafiador e diversificado, para além da previsão penal aos crimes cibernéticos, convido a todos os profissionais desse segmento, nas suas formações que demandam visão de contexto, velocidade de informações, o mundo conectado pelas redes e os riscos a elas inerentes, que levantem suas vozes no sentido de educar os menos virtualizados.
Hoje, não há mais que se pensar no futuro, ele chegou. Trouxe na bagagem as crianças, impondo-lhes um estranho método de aprendizagem sem professores e equipamentos, principalmente à maioria desfavorecida. No bojo, a potencial inteligência jovem da qual tanto precisamos nessa empreitada pela inclusão social. O trabalhador rural, os analfabetos, os portadores de necessidades especiais e os idosos que sequer conseguem ler tutoriais, quando esses existem para minimizar seus limites impostos pela idade. O que terá acontecido com a IR (Inteligência Real)?
Não seria possível aos patrões, nesse triste recorte do tempo, presumirem o nível de preparo dos seus colaboradores, além de uma tela fria. Cada pessoa retém e/ou constrói seu conhecimento de forma cognitiva, associado à experiência profissional, que resulta na capacidade de adaptação, ou não, à novas funções remotamente determinadas
Isso se percebe pelo convívio, na percepção diária para o entendimento do outro, lembrando que somos gente com afetos e dores, nunca números.
Que jamais vejamos a pressão por uma sobrecarga de entregas, sustentada pela desconfiança da dedicação e responsabilidade de cada um no trabalho em home office.
A insensatez adoeceu física e psicologicamente o ser humano. “Máquina” que somente falha, quando desrespeitada nos seus direitos, quando sacrificada sua dignidade. Mas, esse parece ser um pensamento artificial…
Os nós existem nas cordas bambas da vida de cada trabalhador. Precisamos reconhecer as dificuldades dos nossos semelhantes nas suas carências de acolhimento e acessibilidade. Caso sejamos indiferentes, estaremos contribuindo com um sistema de exploração do pilar produtivo, desconsiderando a natureza humana, a sustentabilidade para um mundo mais justo.
Enquanto produzirmos exclusivamente para o lucro das empresas no palco da produção, por um salário de sustento, nos esqueceremos da fragilidade cognitiva do ser humano que pede socorro para sobreviver às dificuldades do novo tempo. Afinal, somos mais do que atores!
Que a ignorância digital não seja um constrangimento. Sobretudo, uma forma de defesa do direito de não sermos iguais. Pois, é chegada a hora de trabalharmos pela construção de um sistema onde prevaleça a ideia de nivelamento, incluindo todos aqueles que não embarcaram no “trem-bala” da evolução tecnológica!
A injustiça tem atuação paralela, mas as nuvens sempre serão inspiradoras…
*Joel Vitor de Castilho: Tecnólogo em Redes de Computadores (INED) – Pós-Graduado em Administração Pública (FGV) – Graduando em Direito (Estácio de Sá) – Conselheiro Fiscal do Sindados/MG.


