De acordo com dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, do Ministério Público do Trabalho, 80% dos trabalhadores resgatados da escravização entre 2002 e 2022 no Brasil, eram negros e pardos.
Pensar esta realidade nos remete à formação socioeconômica do Brasil, que tem suas raízes no modelo de colonização implantado pelos portugueses a partir do século XVI, estruturado na monocultura, na grande propriedade rural e na abjeta escravização de negros e negras africanas.
Também não podemos deixar de analisar que a liberdade formal concedida pela Lei Áurea, que não foi acompanhada de proteção social, possibilitou a manutenção da exploração, da violência e da segregação social e sobretudo, racial.
De lá pra cá podemos constatar que a pessoa desprovida de renda e proteção social, é também desprovida de liberdade material, pois não tem alternativa de escolha, mas luta por sobrevivência. Escolher entre morrer de fome por falta de trabalho e proteção social ou submeter-se às piores e mais brutais formas de exploração humana, retira do trabalhador a dignidade e corrompe a subjetividade. O trabalho em condições análogas à escravidão é a forma mais vil de exploração do trabalho humano. É exatamente nessa combinação de fatores que reside a relação entre terceirização e escravização.
Os dados apurados Departamento de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego, demonstram que nos últimos anos no Brasil, considerados os maiores resgates de trabalhadores escravizados, 90% eram terceirizados.
Razões não nos faltam para dizer não à terceirização!


