VÍCIO EM JOGOS E A SAÚDE MENTAL

Vivemos uma época em que os jogos eletrônicos modernos deixaram de ser um “passatempo” para se tornar uma indústria lucrativa do capital (Bets). E a expansão dessa nova engrenagem com fins financeiros vem impactando profundamente a vida das pessoas.
Com o avanço da tecnologia, os equipamentos eletrônicos tomaram um importante espaço no cotidiano das pessoas, influenciando tanto o ambiente privado quanto o público. Contudo, sob a égide do capital, onde tudo gira em torno da exploração e do lucro acima da vida, o uso da tecnologia aparece não como um mero facilitador, mas como uma forma de aumentar a exploração, o que tem causado efeitos negativos. É o exemplo das experiências pessoais que a cada dia se tornam mais imersivas e isoladas, criando uma falsa sensação de realismo semelhante ao de interações presenciais.
Os jogos virtuais têm uma influência multifacetada na estruturação da sociedade, impactando a sociedade de várias maneiras, especialmente no que diz respeito à forma como as pessoas se conectam. Se, por um lado, eles funcionam como uma ferramenta de socialização, permitindo que indivíduos de diferentes partes do mundo interajam, compartilhem experiências e troquem elementos culturais, por outro, geram isolamento físico, vício/dependência, compulsividade, ansiedade, depressão, estresse etc. Muitos jogos de azar (especialmente online) usam mecanismos para induzir o jogador a continuar apostando, explorando mecanismos psicológicos como a “quase vitória”.
A democratização e a socialização das informações e o acesso virtual ao mundo globalizado podem nos dar a sensação de pertencimento a um mundo virtual e possível. Mas, ao capturar sonhos e anseios pessoais por um status social e econômico, para estarmos incluídos nessa dimensão existencial, podem nos distanciar de nossa capacidade de vivenciar o “ir e vir” neste mundo e espaço.
Os desafios e hábitos patológicos para o convívio real fazem parte do “mundo game”. O que incluímos em nossos dias como possibilidade de tempo e hobby tem evoluído, socialmente, para um quadro de adoecimento mental: o vício em jogos, ou a dependência, também conhecido como jogo patológico ou ludopatia, hoje é oficialmente reconhecido como um problema sério de saúde mental pela Organização Mundial da Saúde, CID-11, como Transtorno de Jogo (6C50), que classifica os códigos para essa condição: F63.0 (Jogo Patológico) e Z72.6 (Mania de Jogo e Apostas).
Essa dependência traz sérios prejuízos à saúde física (sedentarismo) e mental (transtornos como depressão, ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade-TDH), afetando as relações familiares e sociais, e o baixo desempenho acadêmico e profissional.
Os jogos eletrônicos cada vez mais sedutores, modernos e preenchedores das lacunas humanas (social e econômica), pois se tornou um fenômeno complexo e em constante evolução, com o poder de entreter, conectar pessoas, desenvolver habilidades e impulsionar a inovação tecnológica. Não por acaso, as plataformas de apostas online têm financiado pessoas públicas (atores, influencer etc.), pagando contratos milionários para divulgação dos jogos de azar.
É preciso uma séria reflexão, atenção redobrada e o exercício da consciência crítica sobre o papel que esses subterfúgios, que têm por objetivo nos alienar, nos dividir e isolar, a exemplo dos jogos, drogas etc., exercem nas nossas vidas.