Ampliar a mobilização é o nosso desafio
A campanha salarial 2012 teve o resultado possível, que não satisfez àqueles que estiveram presentes nas assembleias e tantos outros, nem tampouco a direção do sindicato. O saldo positivo desta campanha salarial foi que tivemos um universo representativo de trabalhadores presentes nas assembleias do começo ao fim, tentando construir algo diferente, compreendendo o sentido e a importância da mobilização. Se quisermos obter não o resultado possível, mas o resultado que a nossa luta conseguir alcançar a nossa trajetória de construção da CCT do ano de 2013 começa agora.
É correto as pessoas se indignarem com a situação de exploração a que são submetidos os profissionais de tecnologia da informação, informática, processamento de dados e similares no Estado de Minas Gerais.
Entretanto, mais do que pessoas indignadas precisamos ter trabalhadores conscientes, que compreendam como
funciona o processo de exploração capitalista e que se disponham diariamente a combater esta exploração que se manifesta nos baixos salários, nos pequenos benefícios, na exigência de 44h semanais, no assédio moral no interior das empresas, no pagamento de salários desiguais para funções iguais, no descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho e da legislação trabalhista.
A nossa categoria precisa se organizar todos os dias, não apenas na data-base, pois terminada a campanha salarial com a assinatura da CCT, a exploração continua e o resultado da campanha salarial está longe de atender as necessidades dos trabalhadores.
A campanha salarial 2012 teve o resultado possível, que não satisfez àqueles que estiveram presentes nas assembleias e tantos outros, nem tampouco a direção do sindicato.
O saldo positivo desta campanha salarial não foi a CCT com o seu índice de reajuste um pouco superior à inflação, até porque todos nós sabemos o quanto estes índices são manipulados e basta ver o valor das contas a pagar, do supermercado, da escola e constataremos a manipulação.
O saldo positivo desta campanha salarial foi o universo representativo de trabalhadores presentes nas assembleias do começo ao fim, tentando construir algo diferente, compreendendo o sentido e a importância da mobilização. Fazer evoluir nossas conquistas para além do resultado possível será fazer evoluir a compreensão dos trabalhadores sobre a importância de cada um na mobilização, nas assembleias, nos debates, na construção da pauta de reivindicações. Este é o nosso desafio para 2013.
A participação dos trabalhadores na campanha salarial deste ano é um acúmulo de forças para a campanha do
ano que vem, que começa desde agora, compreendendo que no ano que vem a negociação será de todas as cláusulas da CCT e o planejamento da mobilização da categoria, precisa ser organizado desde já, se pretendemos ter um resultado de campanha que pelo menos traduza o que foi a nossa luta.
Portanto, o saldo positivo desta campanha salarial foi ver que ampliou o número de pessoas mostrando a sua cara e se colocando a disposição para lutar, determinadas a construir a mobilização, se necessário até cruzar os braços para tentar alcançar os objetivos traçados em assembleia.
Entretanto reafirmamos: nossa mobilização precisa crescer, pois estamos falando de uma categoria que só em Belo Horizonte tem cerca de 20.000 trabalhadores. O nosso grande desafio é fazer crescer a mobilização para a campanha salarial do ano que vem.
A negociação em mesa chegou ao seu limite e não evoluiria sem mobilização; as assembleias por sua vez ficaram menores ainda que tenham mantido um contingente qualitativo de trabalhadores; a própria mediação do Ministério do Trabalho considerou o resultado alcançado em mesa dentro da média das negociações em tramitação no Estado de MG, ou seja, evoluir do patamar em que nos encontrávamos somente com paralisação das atividades na categoria. Decisão desta natureza é impossível de ser tomada sem uma assembleia representativa em número de trabalhadores.
O que fazer então se não havia mais perspectiva de evolução da negociação direta? Rejeitar a proposta e ir pra justiça, através do ajuizamento de dissídio coletivo? Mas o dissídio coletivo hoje, para ser admitido pelo Tribunal, faz-se necessária a concordância do Sindicato dos patrões com o seu ajuizamento. Os patrões disseram expressamente que não concordavam com o ajuizamento do dissídio. O que fazer então, se até o direito de buscar a justiça para tentar fazer evoluir a negociação coletiva foi tirado dos trabalhadores brasileiros. Isto mesmo, o direito de ajuizar dissídio, na medida em que precisa ter a concordância dos patrões, deixa de existir. O que pode mudar esta realidade: a greve, se for forte e paralisar atividades estratégicas das empresas.
Rejeitar a proposta e ficar sem reajuste? Houve quem propusesse até mesmo ficar sem reajuste, como forma
de pressionar o colega a participar das assembleias. “ Talvez tendo um ZERO de reajuste isto indignasse os trabalhadores e estes se fizessem presentes nas assembleias das próximas datas base” . Esta proposta polêmica, entretanto, além de não ser nenhuma garantia de que mais trabalhadores viriam às assembleias, significaria impor uma perda muito maior aos trabalhadores.
Mobilizar a categoria para fazer evoluir a proposta? Quanto mais assembleias eram marcadas, menos trabalhadores se faziam presentes. Falta de cultura de participar de assembleias? Outros compromissos nos horários das assembleias? Falta de compreensão do que significa uma assembleia e o que representa a participação de cada trabalhador na assembleia? Estas e muitas outras perguntas poderiam ser feitas e foram feitas durante a campanha, entretanto a resposta não veio em forma de mobilização dos trabalhadores para defender os seus interesses. Ainda que tenhamos feito a experiência de fazer uma das assembleias no sábado, na expectativa de que mais trabalhadores participassem. Ainda foram insuficientes os carros de som alugados pelo sindicato convocando os trabalhadores a participarem das assembleias a cada assembleia realizada; a distribuição de 20.000 adesivos apresentando as principais reivindicações da campanha; as chamadas permanentes através da página do sindicato e do facebook; o apoio de todos os presentes nas assembleias ajudando a convocar os colegas; a distribuição de milhares de boletins… Vamos ter de fazer tudo isto e muito mais no ano que vem.
Aceitar a proposta, mesmo entendendo tratar-se de uma proposta ruim diante do que vínhamos refletindo nas assembleias, compreendendo, entretanto, ter sido a proposta possível? Esta foi a análise que preponderou na última assembleia. Não podíamos nos impor o ZERO e não tínhamos mobilização para fazer evoluir a proposta patronal. Trilhar o caminho judicial (ajuizamento de dissídio coletivo) poderia significar também o ZERO, caso o dissídio não viesse a ser admitido pelo Tribunal Regional do Trabalho (uma vez que para ser admitido teria de haver a concordância do SINDINFOR com o ajuizamento do mesmo), ou de obter apenas a inflação do período (pois tem sido este o entendimento do TRT), sem contar ainda que julgamento de dissídio pode significar risco de retrocesso no que já temos conquistado, principalmente se não tiver mobilização forte dos trabalhadores.
A tarefa que está colocada para nós de agora até julho do próximo ano (2013) é a de construir uma realidade
diferente. Precisamos ter tanta gente na assembleia de aprovação da pauta de reivindicações de tal forma que os patrões percebam que algo mudou (2.000 trabalhadores é uma meta perfeitamente atingível). Não havendo perspectiva de evolução, ou mesmo não evoluindo a contento a negociação já devemos ter em mente que a paralisação é necessária para os trabalhadores se fazerem respeitar pelos patrões e, como tudo na vida, a evolução é gradativa, ou seja, para-se horas; evolui-se para dia; depois dias; depois deflagra-se a greve. Tudo, obviamente, a depender da dinâmica da negociação, pois se a contraproposta patronal for a redução de direitos já conquistados a resposta da categoria já pode ser a greve como forma de demonstrar que os trabalhadores têm dignidade e exigem ser respeitados.
Esta construção também pressupõe o envolvimento dos trabalhadores do interior e teremos de ver o jeito de garantir a participação destes trabalhadores. A diretoria do SINDADOS também trabalhará nessa perspectiva.
Finalmente, a proposta aprovada por votação de maioria, após amplo debate na assembleia foi a seguinte:
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Reajuste Salarial Geral: 6,5%
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Reajuste dos Pisos Salariais: 10%
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PLR – Participação nos Lucros ou Resultados: 25% do salário, com garantia mínima de R$450,00
- Ticket Refeição: 1- valor mínimo de R$13,00;
2- obrigatoriedade para empresas com mais de 30 empregados;
3- participação do trabalhador (desconto máximo): salário até R$1.584,00 = 5%; entre R$1.584,00 e R$2.376,00 = 7,5%.
- Reajuste auxílio creche e auxílio filho deficiente: 10%
- Assinatura de um termo de compromisso entre SINDADOS e SINDINFOR de desenvolver estudos sobre a redução da jornada.
É fundamental ressaltar que esta reivindicação de redução da jornada permanece na ordem do dia e o SINDADOS trabalhará para fazer evoluir esta conquista por empresa enquanto este direito não vira direito coletivo da categoria previsto na CCT.
Tão logo a CCT seja assinada a mesma será disponibilizada na página do SINDADOS. Isto deve acontecer nesta semana de 15 a 19/10.



