Para Entender o Golpe da PLR

“O engodo da participaçãodos operários nos lucros”.

Publicamos aqui um importante trecho de “O Programa de Ação da Internacional Sindical Vermelha” que fala sobre a questão da PLR – Participação os Lucros e Resultados. Este programa foi aprovado alguns anos após a revolução russa de 1917, a qual criou o primeiro governo de operários da história. Neste artigo é explicado como a PLR foi criada pelos patrões para enganar os trabalhadores, desviando atenção dos assalariados da luta por salário e direitos efetivos. Leiam e reflitam.


“Esta antiguidade reaparece como uma tábua de salvação para todos os males da sociedade. Na França, Inglaterra e Alemanha existem projetos para estabelecer a participação dos operários nos lucros, e os filantropos e reformadores sociais pensam que deste modo poderão conciliar o inconciliável, isto é, poderão dar satisfação à classe operária sem molestar os patrões.
Esta idéia também tomou forma em determinados círculos operários: os que esquivam e temem a luta, os que consideram que a burguesia é uma classe absolutamente indispensável para a sociedade, os que não têm outro horizonte senão um acordo com a burguesia para repartir a mais-valia, todos esses setores atrasados da classe operária (e há muitos setores atrasados, inclusive nos países capitalistas mais avançados), todos eles pensam que a participação nos lucros é uma via de saída do atoleiro atual (…).
Mal é necessário provar que esta idéia não é mais que um engodo para a classe operária. As distintas experiências de participação dos operários nos lucros em diversos países demonstram que o único resultado deste sistema é o aumento da exploração dos operários, que trabalham mais intensamente para poderem aumentar sua parte nos lucros. Habitualmente, a participação nos lucros não é mais do que a concessão aos operários de uma porcentagem insignificante dos lucros. Em todos os casos, estas sutilezas pouco resolvem os problemas sociais (…). A participação dos operários nos lucros pressupõe, antes de mais nada, a existência de lucros, isto é, a manutenção do regime capitalista, quando a tarefa da classe operária consiste precisamente em suprimir as relações capitalistas e em destruir a própria sociedade capitalista.
Segundo os social-reformistas, os burgueses liberais e os operários que lhes dão ouvidos, a mais-valia produzida pela classe operária deve continuar sendo a base das relações entre as classes; precisa ser perpetuada entregando para o operário uma parte da mais-valia que o mesmo produzir. Como realizar esta saudável reforma?” (…)
“A postura dos sindicatos revolucionários diante desta teoria é clara e contundente. Não se trata em absoluto de reduzir quantitativamente a mais-valia, mas de aboli-la. Portanto, é indispensável declarar uma guerra sem quartel a esse ardil desavergonhado que é colocado para a classe operária. Os operários devem concentrar sua atenção, não na forma de repartir a mais-valia entre os trabalhadores e os empresários, mas sim na forma de livrar-se de uma classe que vive exclusivamente da mais-valia.
Na luta contra esta intervenção burguesa é preciso vigiar, sobretudo, a conduta dos líderes operários. Que a burguesia trate de enganar a classe operária com uma esmola ilusória, é algo perfeitamente natural e não nos surpreende de modo algum; mas que entre os dirigentes dos sindicatos exista quem se apegue a esta idéia como uma tábua de salvação, é de uma hipocrisia e cinismo inauditos.” (…)
“O caráter charlatanesco e demagógico desta estreita repartição de lucros é demasiado evidente, não pode ocultar o desejo de enganar os operários. É verdade que estes estão muito atrasados, são muito ignorantes e estão impregnados de muitos preconceitos burgueses, mas a guerra e a revolução deram grandes ensinamentos à classe operária em seu conjunto, e entre as grandes verdades que as massas aprenderam durante estes últimos anos, a essencial é que desta repartição o proletariado não tirará nada de positivo. Por esta razão, declarou categoricamente o I Congresso Internacional dos Sindicatos Revolucionários que esta forma de abusar dos operários deve ser submetida a uma severa e intransigente crítica. A bandeira dos sindicatos revolucionários de classe deve ser: ‘não à participação nos lucros, sim a supressão dos lucros capitalistas’.”