AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALMG TORNOU EVIDENTES AS IRREGULARIDADES DO PCSC IMPLANTADO NA PRODEMGE SEM NENHUM DIÁLOGO COM OS TRABALHADORES

AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALMG TORNOU EVIDENTES AS IRREGULARIDADES DO PCSC IMPLANTADO NA PRODEMGE
SEM NENHUM DIÁLOGO COM OS TRABALHADORES

Foto: Taís Ferreira

Aconteceu, na última quinta-feira, 26/05, por meio de requerimento da deputada estadual Beatriz Cerqueira – PT/MG, na Comissão de Administração Pública da ALMG, a Audiência Pública que debateu o novo Plano de Cargos Salários e Carreira (PCSC) que a diretoria da Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (PRODEMGE) implementou, impondo profundas alterações na organização de salários e carreira, sem qualquer diálogo prévio com os trabalhadores ou com a entidade sindical que os representa.
A audiência foi marcada por dezenas de denúncias levantadas pelos trabalhadores e suas representações, o sindicato da categoria SINDADOS/MG e a Comissão de Trabalhadores.
Um dos pontos levantados no debate está o fato de que a PRODEMGE é uma empresa pública e, como tal, está submetida aos princípios constitucionais da legalidade, publicidade e impessoalidade, descumpridos pela direção da Empresa na elaboração e implementação do Plano.
O absurdo foi tamanho que o próprio Assessor Jurídico da PRODEMGE, Alberto Alves Carreiro, que na oportunidade representava o presidente da Empresa, ao ser questionado pela deputada Beatriz Cerqueira, afirmou que passados quase dois meses da implantação do Plano o mesmo não foi divulgado em nenhum canal público, tampouco a tabela salarial. Segundo Alberto as Instruções Normativas (IN´s) com o conteúdo do plano ainda estão sendo redigidas.
Nem mesmo o Conselho de Administração da empresa teve o PCSC para analisar previamente à reunião em que o mesmo foi aprovado.
Não pode ser séria a aprovação de um documento tão importante quanto é um Plano de Cargos, Salários e Carreira sem se ter o seu inteiro teor em mãos, de forma prévia, para leitura e análise, até mesmo para embasar o voto dos conselheiros.
A apresentação feita aos conselheiros deve ter sido a mesma lero-lero feita aos trabalhadores da empresa, que teriam sido chamados pelos gerentes que tiveram a tarefa de mostrar onde cada um foi enquadrado com o novo Plano.
Indagado sobre quem teria feito este novo PCSC, o representante do Presidente da Empresa informou foi um grupo de trabalho composto por seis integrantes, todos da chefia (gestores/cargos comissionados).
Entre as denúncias gravíssimas trazidas pelos trabalhadores na audiência foi ressaltado o fato de profissionais com mais de uma década de casa terem sido rebaixados para o cargo mais baixo da carreira, à condição de júnior. Outros afirmaram que tiveram suas categorias modificadas à revelia, sem qualquer explicação ou justificativa.
A diferença entre os reajustes recebidos foi outro ponto alto da indignação de quem defende critérios claros de avaliação, tratamento isonômico, respeito profissional. Enquanto gerencias e outros cargos de confiança tiveram reajustes de 100%, 200% ou até mesmo 300%, os trabalhadores “comuns” receberam reajustes irrisórios, coisa de R$ 10, R$ 22, R$50, R$100.
Ainda que o Sr. Alberto tenha dito que o plano foi muito bem explicado aos trabalhadores, e que tenha contestado a fala do Sindicato na audiência, os depoimentos dos profissionais da empresa ali presentes mostraram que teve razão e fundamentação o Sindicato. A Audiência Pública desnudou uma realidade onde ficou evidente os abusos cometidos pela direção da Empresa contra os trabalhadores.
As notas taquigráficas da Audiência serão encaminhadas ao Ministério Público e da Audiência foram gerados vários requerimentos de forma consensual entre os Deputados e a solicitação à Empresa de que chamasse a representação dos trabalhadores para uma reunião, nos próximos 10 dias, para que se iniciasse o diálogo sobre o Plano, com o objetivo de resolver os diversos problemas apresentados. O representante da Empresa se comprometeu a levar a demanda, sem, no entanto, confirmar que tal reunião ocorrerá.