Empresa e Fundação não comunicaram trabalhadores sobre problemas que estavam ocorrendo
O plano de saúde da Prodemge sofreu reajuste de 20% para titular e dependente direto e 35% para dependente especial. Só no dia 30 de Janeiro, a Fundação Libertas chamou uma reunião com o Sindados-MG e a Após-Prodemge (associação de aposentados da empresa) para comunicar o aumento.
Foi demonstrado que o fundo de reserva do plano de saúde vem caindo desde 2013, por decisões tomadas pela Prodemge, pelo aumento de gastos e custos do plano. Isso motivou o reajuste no valor das mensalidades e alterações na coparticipação em consultas, exames, procedimentos e internações.
Prodemge e Fundação em momento algum divulgaram aos participantes os problemas que o plano apresentava, sequer chamaram seus representantes para elaborar uma saída que impactasse menos. O Sindados não vai se prestar ao papel de simples espectador e tomará as medidas cabíveis para defender os trabalhadores.
Divulgaremos a seguir os dados apresentados, nessa reunião, pela Fundação Libertas, extraídos do estudo da empresa atuarial contratada por ela. Porém, alertamos que não foi possível verificar a consistência desses dados.
Prodemge reajustou coparticipação em consultas, exames e internações
O modelo proposto pela Libertas e aplicado pela Prodemge, aumentou a coparticipação nos exames de 10% (limitado a R$ 45) para 30% (limitado a R$ 90); as internações psiquiátricas serão cobradas em 50% quando ultrapassarem 30 dias; as sessões de fisioterapia também serão cobradas em 50% quando ultrapassarem 40 sessões em casos agudos ou 60 em casos crônicos.
Dentro da média nacional dos planos de autogestão, o Plano de Saúde da Prodemge é composto por uma massa jovem, segundo avaliação feita pela própria Fundação Libertas. Se somarmos as faixas etárias até 43 anos, teremos incluídos 54% dos beneficiários do plano, um número superior ao de pessoas na faixa acima de 44 anos. Se incluirmos todas as faixas abaixo de 59 anos, considerada a idade crítica para os planos de saúde, teremos surpreendentes 75% dos beneficiários.
Impacto do aumento será maior para assistidos e dependentes
A Prodemge não paga a sua parte na contribuição paritária da mensalidade para assistidos (aposentados, pensionistas e afastados), mantidos (sem vínculo empregatício, mas que manteve-se o plano) e dependentes especiais (filhos acima de 24 anos e pais dependentes). Isto é, o aumento vai impactar muito mais para o participante, que para a empresa. Ainda mais se levarmos em consideração a conjuntura econômica, em que os salários foram reajustados com índice baixo. No bolso do trabalhador menos salário e mais despesas, no caixa da empresa, menos despesa em todos os sentidos.
Dados apresentados não permitem análise completa da situação do plano
Consideramos que os dados apresentados foram muito recortados. Os dados de despesas e receitas, por exemplo, são apenas de 2015 a 2017. Outros dados são a partir de 2013, outros apenas de 2017. Ou seja, não dá para sabermos a real situação do plano.
No quadro abaixo sobre sinistralidades, por exemplo, foram pinçados apenas três anos para mostrar que elas aumentaram. Ora, e os demais anos? Os números de 2016 podem ter sido excepcionalmente altos se comparados com os demais anos, assim como são em relação a 2015 e 2017. Nos anos anteriores podem ter sido baixos, o que representaria um impacto diferenciado no período. Por que não foram apresentados?
Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a sinistralidade dos planos de autogestão são de 88,9% em média. Em outubro de 2017 a taxa do plano da Prodemge ficou em 90,17%. Pode ser algo conjuntural ou estrutural. Não dá para analisar adequadamente por que os dados apresentados pela Libertas não permitem uma visão mais geral.
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