A luta contra a precarização e o sucateamento das empresas públicas é fundamental. As empresas públicas vêm sendo sucateadas ao longo dos anos, com seus servidores enfrentando problemas como trabalho precário, terceirização, falta de investimento em capacitação, requalificação, salários abaixo do mercado, evasão de profissionais por sucessivas gestões ineficientes. Com a PRODEMGE não é diferente.
As empresas públicas de Tecnologia da Informação são importantes polos locais de desenvolvimento de software e de serviços, tanto para as administrações públicas, quanto para a população. A demanda pública tem suas características próprias, construídas e mantidas pelo trabalhador dessas empresas há décadas. Um conhecimento acumulado de serviços prestados enorme e inestimável, que não é valorizado.
Quando ocorre a terceirização para atendimento a alguma demanda ou se contrata fábrica externa de software, a qualidade tem se revelado sempre inferior e na PRODEMGE esta história se repete. É frequente e de grande volume a demanda dos próprios funcionários da empresa para correção e adaptação do serviço terceirizado, um grande e imoral desperdício de dinheiro público.
E o trabalhador da PRODEMGE, como fica diante disso tudo? Desestimulado, cansado, sem esperança. A evasão, que aumentou após a implantação do novo Plano de Cargos, Salários e Carreira (PCSC), revela que os trabalhadores da empresa estão indo buscar reconhecimento profissional e de crescimento no mercado privado, predominantemente. Crescimento que este trabalhador não vislumbra mais dentro da PRODEMGE.
Lamentável que numa empresa pública o PCSC seja instrumento utilizado para beneficiar os amigos do rei com aumentos de salários em grandes cifras, sem critério objetivo de avaliação, sem considerar o histórico de cada empregado e sua experiência profissional.
A falta de profissionais já era realidade da empresa e perder mais trabalhadores só aumenta o quadro de dificuldade, pois a necessidade de realização de concurso já estava colocada, já que o último aconteceu há mais de 10 anos.
O número de RA´s contratados assusta, são quase 300; enquanto o número de concursados está em torno de 700 trabalhadores, ou seja, quase metade da empresa. A contratação de serviços de fábricas externas de software também vem crescendo ano a ano. Analisando estes aspectos, somado ao estímulo a pedidos de demissão em consequência da implantação deste PCSC desastroso, não tem como não concluir que tudo isto faz parte do plano de precarizar para desmontar esta importante empresa pública, já que, politicamente, a atual diretoria, ao que tudo indica, se alinha com o ideal privatista, de que o estado deve ser mínimo.
A rotatividade de pessoal, que é comum na iniciativa privada não pode ser adotada na Informática Pública, pelo risco que representa para a preservação do conhecimento sobre serviços e ações estatais. O Estado é responsável por ações que correspondem a décadas de prática, sem contudo deixar de ser eficiente ou de ser atualizado, o que mostra conhecimento, que é base acumulada para novas e aperfeiçoadas tecnologias, fundamental para a eficácia estatal.
O SINDADOS faz o chamado aos trabalhadores para que se conscientizem do que está acontecendo na PRODEMGE e para que lutem em defesa desta empresa pública, pelos serviços prestados ao cidadão mineiro e por seus empregos. Empresa pública de TI tem que ser tratada como questão de segurança estatal, tem que ter investimento, sobretudo no trabalhador, que é o seu principal patrimônio.


