Sartre

Jean-Paul Sartre e o Existencialismo

O autor frances, pai do existencialismo, foi o mais significativo escritor desta corrente literária que também teve destaque no panorama cultural dos anos 1950
Jean-Paul Sartre, é o principal expoente da literatura existencialista, tinha como objetivo interpretar de maneira total o mundo. Ele bebeu na fonte da fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938) e de Martin Heidegger (1889-1976) e tentou explicar todos os aspectos da experiência humana. Entre as principais obras estão “O Ser e o Nada” e “Critica da Razão Dialética”.

Infância e primeiros estudos

Nascido em Paris em 21 de junho de 1905, perdeu o pai quando tinha apenas dois anos de idade. Depois da morte deste, mudou-se com a mãe para casa do avô, Charles Schweitzer, na cidade de Meudon, localizada nos arredores da capital francesa.

Começou a se interessar por livros, literatura ainda criança, este interesse precoce fez com que ganhasse uma máquina de escrever aos 10 anos de idade.

Aos 19 anos, entrou para a Escola Normal Superior, no curso de filosofia, onde apesar de ter um desempenho regular, tinha um interesse bastante acentuado às aulas do professor Alain (1868-1951), que discutiam exaustivamente a questão da liberdade.

Foi neste período que conheceu sua futura companheira da vida toda, a futura escritora existencialista, Simone de Beauvoir, (1908-1986)

Em 1928, ano que terminou o curso universitário de filosofia, prestou o serviço militar em Tours. Após passar pelo exército, o escritor conseguiu uma vaga de professor de filosofia na escola secundária da cidade portuária Havre. Foi durante este período que o escritor produziu seu primeiro livro, “A Lenda da Verdade”, que foi rejeitado pelos editores.

Início do existencialismo e vida política

Foi no ano de 1933 que Sartre iniciou um estudo sério sobre fenomenologia, existencialismo, filosofia etc. Neste ano, estava passando um período na capital Alemã, Berlim. Estudou as obras sobre fenomenologia de Edmund Husserl e os existencialistas Karl Jaspers (1883-1969) e Martin Heidegger e o filósofo Max Scheller (1874-1928). Com o estudo destes autores descobriu as obras de Sören Kierkegaard (1813-1855) que foi base para Jaspers e Heidegger.

Foi a partir destes estudos que Jean-Paul Sartre iniciou a elaboração de uma visão particular da sua teoria existencialista.

No início da Segunda Guerra Mundial, o escritor foi chamado para servir na base Lorena como meteorologista, função que desempenhou em Tours quando prestou o serviço militar.

No segundo ano da guerra, 1940, ele foi pego pela Gestapo e mandado para um campo de concentração em Trier, na Alemanha. Escapou do campo na primavera de 1941.

Desde então, passou a ter uma atividade política mais intensa. Entrou para a Resistência Francesa e fundou, em Paris, o grupo “Socialismo e Liberdade”. O escritor produziu panfletos contra a ocupação nazista da França e também contra os contra-revolucionários franceses.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1945, o existencialista francês dissolveu o grupo “Socialismo e Liberdade” por entender que sua função só tinha sentido como parte da Resistência durante a guerra.
Ao lado de intelectuais como Raymond Aron (1905-1983) e Merleau-Ponty (1908-1961) fundou a revista de análises, “Tempos Modernos”.

No início dos anos 1950 teve uma aproximação com o Partido Comunista Francês, ao qual se filiou. Mas quatro anos após sua filiação, em 1956, com a invasão stalinista da Hungria, Sartre rompeu com o partido e publicou um artigo criticando a descaracterização do marxismo pelas autoridades soviéticas. O artigo chama-se, “O Fantasma de Stálin”.

Pressionado pelas críticas feitas a suas principais obras existencialistas, o autor fica pressionado politicamente a dar um sentido mais prático à sua teoria existencialista, essa pressão resulta em trabalhados teóricos em que Sartre tenta uma aproximação do existencialismo e do marxismo.

Em 1960, Sartre manifestou-se publicamente contrário ao massacre institucional do exército francês na Argélia. Este acontecimento político suscitou um interesse em outros países que sofriam com o imperialismo. Viajou para Cuba, Brasil e também se interessou pelos conflitos no Vietnã.

Romances, ensaios e peças

A produção literária de Sartre teve início na década de 1930, quando estava residindo na Alemanha. Seu romance “A Náusea”, inicialmente intitulado “Melancolia’, começou a ser escrito durante sua estadia alemã. Em 1936 publicou trabalhos resultantes de estudos sobre a fenomenologia, os livros “A Imaginação” e “A Transcendência do Ego”.

Dois anos depois, concluiu e publicou o romance “A Náusea”, Em 1939 escreveu “O Muro”, uma coletânea de contos e também publicou no mesmo ano o ensaio “Esboço de uma Teoria das Emoções”. Ainda sobre a fenomenologia publicou o ensaio “O Imaginário”.

Após fugir do campo de concentração, em 1943, Sartre lançou sua primeira peça teatral, “As Moscas”, uma alegoria de uma lenda grega que simbolizava a luta entre a França e a Alemanha durante a guerra. Na peça, havia o reino de Agamenão que correspondia à França ocupada pelos nazistas que na peça eram representados por Egisto. Clitemnestra eram os colaboracionistas franceses, a apreensão de setores da população diante da ocupação alemã na peça era a praga das moscas e por fim quando a personagem da peca Orestes elimina a praga das moscas Sartre queria representar uma exortação à luta da resistência contra os alemães.

Uma das principais obras do escritor francês sobre sua teoria existencialista foi publicada ainda em 1943, “O Ser e o Nada”.

Outra peça de Sartre foi encenada, em 1945, “Entre Quatro Paredes”, nesta obra o autor criou situações dramáticas existenciais que foram anteriormente discutidas em seus livros teóricos. Na mesma época publicou a trilogia “Caminhos da Liberdade” (“A Idade da Razão”, “Sursis”, “Com a Morte na Alma”).

Como resposta às críticas feitas à sua obra “O Ser e o Nada”, em 1946, o autor responde com a publicação “O Existencialismo é o Humanismo” justificando o existencialismo com a ética. Ainda neste mesmo ano, são escritas outras duas peças, “A Prostituta Respeitosa” e “Mortos sem Sepultura” e também um ensaio no qual defende a emancipação dos judeus por meio de uma sociedade sem classes sociais, “Reflexões Sobre a Questão Judaica”.

No final da década de 1940 e início da de 1950 encena duas peças, em 1948, “As Mãos Sujas” e em 1951 “O Diabo e o Bom Deus”.

Nos anos 1960 como resultado da pressão sofrida pela precariedade de sua filosofia existencialista, publica dois trabalhos, “Crítica da Razão Dialética” e “Questão de Método”, que tentam fazer uma aproximação entre o existencialismo e o marxismo.

O colonialismo francês na Árgelia virou tema de sua peça, “Seqüestrados de Altona”, realizada em 1960.

Em 1964, publicou “As Palavras”, sobre o significado existencial e psicológico de sua infância. Ainda neste ano, recusou receber o Prêmio Nobel de Literatura.

Depois de “As Palavras”, Sartre voltaria a publicar um livro somente em 1971, um estudo sobre o autor realista francês Gustave Flaubert, “O Idiota da Família”.

No final da vida, ainda colaborou na criação de um jornal libertário chamado “Liberation”.
O autor estava internado no Hospital Broussais quando morreu em 15 de abril de 1980.